Sociedade: Patriarca condena ato de violência na Marcha pela Vida em Lisboa

«Portugal deve continuar a ser uma casa onde as diferenças se exprimem em paz, sem medo, e onde o diálogo prevalece sobre o confronto», refere D. Rui Valério

Foto Arlindo Homem, Caminhada pela Vida, Lisboa 2026

Lisboa, 21 mar 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa condenou hoje o ato de violência ocorrido durante a Marcha pela Vida, junto à Assembleia da República, onde se encontravam famílias e crianças.

“Tais acontecimentos são gravemente inaceitáveis. A violência nunca é caminho. Não constrói, não dignifica, não serve a verdade. E torna-se ainda mais dolorosa quando ameaça os mais frágeis, especialmente as crianças, que devem ser sempre sinal de esperança e nunca expostas ao medo”, refere uma nota de D. Rui Valério, enviada à Agência ECCLESIA.

A ocorrência verificou-se no encerramento da iniciativa, quando um indivíduo visou um grupo de manifestantes.

D. Rui Valério expressou preocupação perante o relato dos factos que, segundo o comunicado do Patriarcado de Lisboa, interpelam “profundamente” a consciência e visam os cidadãos mais frágeis.

O patriarca sublinhou o valor da iniciativa, que reuniu milhares de pessoas em 12 cidades do país.

“A Marcha pela Vida nasce precisamente da convicção de que toda a vida humana é um dom inviolável, desde a conceção até à morte natural. Por isso, qualquer ato de violência, mormente se contra uma manifestação pacífica, deve ser claramente condenado”, realça.

D. Rui Valério dirigiu-se a todos os participantes, referindo que “Igreja está próxima de todos, acompanha e reza por cada um”.

“Nenhuma situação de violência pode apagar o bem realizado, o testemunho dado e a esperança semeada”, pode ler-se.

O patriarca de Lisboa apela a todos – cidadãos, instituições e autoridades – para que se preserve e promova um clima de respeito, liberdade e responsabilidade. Portugal deve continuar a ser uma casa onde as diferenças se exprimem em paz, sem medo, e onde o diálogo prevalece sobre o confronto.”

Em nota enviada à Agência ECCLESIA, a organização da Marcha pela Vida considerou o incidente “um ataque à liberdade de expressão e de manifestação pacífica de todos os cidadãos”.

O evento assume-se como uma manifestação “pacífica, apartidária e aconfessional”, em defesa da dignidade humana.

“A organização da Marcha pela Vida condena veementemente este ato de violência e agradece à PSP pela resposta rápida e eficaz que evitou consequências mais graves”, acrescenta a nota.

Em causa está um ataque com objeto incendiário, que não chegou a deflagrar.

OC

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