Diretor-geral da Comunidade Vida e Paz participou em reunião convocada pelo presidente da República

Foto: Lusa

Lisboa, 19 out 2019 (Ecclesia) – O diretor-geral da Comunidade Vida e Paz, do Patriarcado de Lisboa, disse hoje que acredita ser possível tirar das ruas as pessoas sem-abrigo, até 2023, precisando que o tema é “complexo”.

“É um problema complexo, o tempo passa muito rapidamente, daí termos chamado a atenção para a necessidade dos processos de decisão serem muito mais rápidos e adequados aos contextos, sob pena de estarmos sempre a correr atrás do problema”, explicou Henrique Joaquim à Agência ECCLESIA.

Esta segunda-feira, o presidente da República Portuguesa reuniu governo, entidades e instituições para um ponto de situação sobre o Plano de Ação 2019-20 da Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo (ENIPSSA), no Palácio de Belém.

Na conferência de imprensa final, Marcelo Rebelo de Sousa explicou que a ideia é “tudo fazer para que quem quiser possa ter condições para sair da situação de sem-abrigo”, tendo como meta 2023, oo fim da legislatura que começou em outubro.

“Se, efetivamente, houver decisões mais céleres, e uma diversificação das respostas e dispersão pelo território é possível continuar a alimentar essa meta. Se continuarmos mais um ano a este ritmo não será”, observou Henrique Joaquim.

Para o diretor-geral da Comunidade Vida e Paz, “é um aspeto positivo existir um plano” e através dele conseguir assinalar o que é que está a funcionar e “o que é preciso melhorar”.

“Há alguns problemas de comunicação entre fazer chegar algumas necessidades em tempo mais rápido ou também ver os processos de decisão da criação de respostas, torná-los mais céleres. Viu-se também a necessidade de ir respondendo a alguns constrangimentos, às vezes, mais de carater administrativo e burocrático no acesso das pessoas aos serviços e aos benefícios fiscais”, desenvolveu.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu que há áreas “muito sensíveis e prioritárias”, como a habitação, saúde, reinserção social e profissional, “em que é preciso ir encontrando soluções cada vez melhores”.

Destas prioridades, Henrique Joaquim disse que foram criadas “algumas oportunidades de habitação”, ainda insuficientes; o acesso aos serviços da Segurança Social e da saúde “também continuam com alguns constrangimentos”.

“Um dos aspetos que focamos foi o não estar ainda a funcionar em pleno um sistema de informação e de caraterização mais regular, pelo menos semestral, da evolução das situações”, adiantou o entrevistado, assinalando que há “sempre dificuldade em dizer se há aumento ou decréscimo” de pessoas em situação de sem-abrigo.

Neste contexto, adianta que, fase aos números que tinham sido publicados até 2018, no início deste ano os dados eram “de um decréscimo”, mas nos territórios onde a CVP intervém, nos últimos meses, “pareceu ter havido um ligeiro acréscimo”.

“O que não sabemos é se é uma tendência que se vai manter ou apenas uma deslocalização de pessoas de umas zonas para as outras. Pode ser aumento de situações nos territórios onde vamos intervir e diminuição noutros”, acrescentou.

O diretor geral da CVP destaca que existem “muitas manifestações de solidariedade concreta” e de apoios das mais variadas formas: “Nas imensas horas de voluntários que todos os anos temos, e sempre com as equipas na rua, nos apoios em géneros, quer seja de roupa, quer seja de alimento, quer nos apoios monetários”.

“O país tem essa marca solidária e está ao seu alcance se não resolver totalmente o problema, minimizá-lo muitíssimo mais, acho que era possível resolvê-lo”, acrescentou.

As pessoas em situação de sem-abrigo tiveram em Sara, a jovem cabo-verdiana de 22 anos que abandonou o filho recém-nascido num ecoponto em Lisboa, uma grande visibilidade mediática e para o entrevistado “seria bom” que a comunicação social e os media “pudessem ter uma estratégia de comunicação sobre este fenómeno” e “ajudassem a evidenciar as situações que vão sendo resolvidas”.

A Comunidade Vida e Paz, Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) tutelada pelo Patriarcado de Lisboa, informa que apoia mais de 430 pessoas na rua e acolhe 265 pessoas para reabilitação.

CB/OC

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