D. Manuel Clemente presidiu à Missa na 31ª Festa de Natal da Comunidade Vida e Paz, que marcou a saída do seu atual diretor-geral para coordenar a Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação Sem-Abrigo

Foto Agência ECCLESIA/PR, 31ª Festa de Natal da Comunidade Vida e Paz

Lisboa, 22 dez 2019 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa afirmou hoje que é necessário envolver “todas as entidades” no plano de integração dos sem-abrigo e apelou a que “não saia da agenda” a estratégia dirigida pelo até agora diretor-geral da Comunidade Vida e Paz.

Para D. Manuel Clemente, é “exequível” retirar da rua as pessoas em situação de sem abrigo até 2023, como prevê a Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação Sem-Abrigo, envolvendo a sociedade civil e os organismos públicos.

“É exequível e com o envolvimento de todas as entidades que têm particular responsabilidade nisso, não apenas da sociedade, na sua espontaneidade, como acontece na Comunidade Vida e Paz e tantas outras, mas da parte dos que são os primeiros responsáveis pelo bem comum, como o Estado, as autarquias e onde nós estamos também como cidadãos”, disse D. Manuel Clemente à Agência Ecclesia.

O cardeal-patriarca presidiu hoje à Missa da 31ª Festa da Comunidade Vida e Paz e disse que é “muito positivo” que haja o “envolvimento de todos os componentes sociais na resolução de um problema que é de todos”.

Durante a homilia da Missa, nas proximidades do Natal, D. Manuel Clemente disse aos sem-abrigo, dirigentes e voluntários da Comunidade Vida e Paz que  é necessário acreditar que “é possível que o mundo recomece”.

“A atitude de Maria, apesar da imensidão dos problemas, das tarefas e das coisas, comprova que é possível acreditar, que é possível, por que Deus quer”, referiu D. Manuel Clemente na Cantida da Universidade de Lisboa, onde decorre a Festa de Natal da Comunidade Vida e Paz, que hoje termina.

A 31ª Festa de Natal da Comunidade Vida e Paz iniciou na sexta-feira e termina este domingo, onde mais de 1000 voluntários e técnicos desta organização dão refeições quentes aos sem-abrigo e proporcionam um conjunto de serviços de saúde e cidadania.

Em declarações à comunicação social, D. Manuel Clemente manifestou a sua concordância com o presidente da República sobre a “urgência” da resolução dos problemas das pessoas em situação de sem abrigo, afirmando que é “um problema quase estrutural”.

Para D. Manuel Clemente, o facto de existirem pessoas desabrigadas significa que “é a própria sociedade que está desabrigada também”, lembrando a insistência de organizações e instituições públicas para que o problema “não saia da agenda, não adormeça entre tantos outros problemas que há para resolver”.

A 31ª Festa de Natal da Comunidade Vida e Paz coincidiu com a nomeação do seu atual diretor-geral, Henrique Joaquim, para coordenador da Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação Sem-Abrigo (2017-2023).

Responsável pela Comunidade Vida e Paz durante os últimos oito anos, Henrique Joaquim expressou no final da Eucaristia a sua “gratidão” pelo trabalho realizado, onde disse que se tornou “mais pessoa e mais profissional”.

“Nunca fiz nada sozinho, nunca estive sozinho, acredito no coletivo”, afirmou o até agora diretor-geral da Comunidade Vida e Paz.

Para Henrique Joaquim, a nomeação para coordenar a Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação Sem-Abrigo não é uma conquista pessoal, considerando que surgiu “pelo trabalho e pela imagem e reputação que a comunidade tem”.

A proposta de lei do Orçamento do Estado para 2020 prevê um reforço de 7,5 milhões de euros no apoio às pessoas em situação de sem-abrigo, que eram perto de 3400 em 2018, um setor prioritário para a ministra do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, Ana Mendes Godinho, que participou hoje na Festa da Comunidade Vida e Paz.

Foto Agência ECCLESIA/PR

PR

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