Investigadora salienta importância da «ideia de comunidade»

Lisboa, 19 jun 2020 (Ecclesia) – A psicóloga Rute Agulhas disse que “é preciso uma aldeia, uma cidade, um planeta inteiro” para educar e proteger uma criança e “a rede de vizinhança é importantíssima” para estar atenta aos sinais emocionais e comportamentais.

“Todos temos o dever de estar atentos”, refere à Agência ECCLESIA, assinalando que “é preciso uma aldeia, uma cidade, um planeta inteiro” para educar e proteger uma criança.

“Quando pensamos que as crianças se movimentam em vários contextos, sabemos que a maior parte das vezes é o contexto mais próximo, mais familiar, que acaba por ser o menos protetor da crianças, naturalmente, temos que contar com todo o resto da aldeia, com outros familiares, os vizinhos, com os profissionais que se cruzam com essa criança na escola, na creche, etc.”, desenvolveu a investigadora.

Neste âmbito, Rute Agulhas destaca que “a rede de vizinhança é importantíssima” numa sociedade, “muitas vezes, mais virada para dentro”, onde há pessoas que não conhecem os próprios vizinhos e, “se calhar, cruzam-se com eles no prédio vezes sem fim mas não conhecem o nome e é importante esta ideia de comunidade”.

No programa ECCLESIA desta sexta-feira, na rádio Antena 1, a partir das 22h45, a psicóloga explica que “é efetivamente esta rede” que depois pode ser “a rede suporte quando há uma criança que até aparece maltratada, situações limite em que aparece morta”, porque os sinais que dá “podem ser mais emocionais”, como andar mais triste, mais irritada, “até revelar medo”, ou ao nível do comportamento, “andar mais apreensiva, mais isolada, mais agitada, mais irrequieta”.

“Se o adulto conhece a criança, percebe que está um pouco diferente. Aí o adulto tem de ir ter com a criança, não pode só estar à espera de que a criança venha pedir ajuda porque pode até não conseguir”, acrescenta.

A investigadora no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa salienta que “não há sinais específicos”, para além dos físicos que “é muito fácil de perceber”, mas, na maior parte das situações, “os sinais são emocionais, são comportamentais, e às vezes passam despercebidos”.

Rute Agulhas explica que é preciso “treinar competências para ouvir crianças, inclusivamente competências não-verbais” porque quando “estão a contar alguma coisa muito difícil a um adulto”, se for uma “criança maltratada ou negligenciada”, “são mais competentes a ler a expressão facial” e se o adulto “começar a ter cara de pânico, a ficar aflita, o que tipicamente fazem é parar de contar”.

A psicóloga destaca que as crianças terem começado a ser “ouvidas”, até mesmo no âmbito judicial, em tribunal, “é um caminho” que se está a percorrer cada vez mais de participarem “nas decisões que lhe dizem respeito”.

Ao longo desta semana, o programa ECCLESIA na Antena 1 da rádio pública conversou sobre a proteção de crianças e adolescentes com a psicóloga e investigadora Rute Agulhas, que integra a Comissão para a Proteção de Menores do Patriarcado de Lisboa, e contou também com a opinião de Rosário Farmhouse, presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens.

LS/CB/OC

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