José Luís Nunes Martins

O hábito é um substituto da felicidade. Impede a liberdade de forma muito subtil. Dá conforto e paz, mas longe da alegria e da felicidade. Torna-nos capazes de sentir conforto nos contextos mais hostis, mas isso é, na melhor das hipóteses, uma defesa de quem talvez já tenha desistido de lutar contra as adversidades, aliando-se, por vezes, ao mal…

Os nossos hábitos acabam por destruir quaisquer tentativas de introdução de novidade na vida. Por melhores que sejam as propostas, só raras vezes nos fazem quebrar os nossos costumes.

Os seres humanos são escravos das suas rotinas, ao estranho ponto de sermos mais apegados aos hábitos negativos do que aos positivos, aos vícios mais do que às virtudes.

Sermos bons é resultado de uma guerra constante contra o que é natural em nós.

Anular um hábito passa pela introdução de uma longa rotina paciente que procura, dia após dia, enfraquecer de forma calma as amarras do velho hábito.

Quanta infelicidade sentimos apenas por hábito? Já nem pensamos na causa nem em qualquer possível finalidade, achamos que somos assim e… não mudamos.

Será que todas estas nossas formas de viver a nossa vida não serão sinais evidentes de que estamos a fugir de algo mais profundo?

As preocupações menores servem para esconder outras bem maiores.

É certo que não podemos navegar no mundo à nossa volta sem algumas formas de manter a sanidade, mas será que os hábitos que temos são os melhores que podíamos ter?

Porque será que passamos a vida a olhar para o chão quando podíamos admirar o céu?

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Nota do autor:
No próximo dia 21 de março orientarei um Retiro de Silêncio subordinado ao tema: Tristeza – Oração e Meditação.
Tem lugar no Convento das Doroteias – Linhó. Para se inscrever, ou obter mais informações, agradeço o seu contacto através do endereço: correiojoseluis@gmail.com
Obrigado, muito.

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