Participantes no processo sinodal pedem «maior transparência» na vida da Igreja

Foto: Synod.Va

Cidade do Vaticano, 27 out 2022 (Ecclesia) – O documento de trabalho para a etapa continental do Sínodo 2021-2024, publicado hoje, assinala o impacto negativo do “escândalo dos abusos” na vida da Igreja, pedindo uma maior “transparência”.

“Uma atenta e dolorosa reflexão sobre a herança dos abusos levou muitos grupos sinodais a pedir uma mudança cultural da Igreja, com vista a uma maior transparência, responsabilidade e corresponsabilidade”, indica o texto, apresentado em conferência de imprensa, no Vaticano.

O sumário das sínteses produzidas a nível mundial – 112 conferências episcopais, movimentos, associações, pessoas singulares e grupos, entre outros – aponta como “obstáculo particularmente relevante” para a vida das comunidades católicas “o escândalo dos abusos cometidos por membros do clero ou de pessoas que desempenham um cargo eclesial”.

“Em primeiro lugar e sobretudo os abusos sobre menores e pessoas vulneráveis, mas também os de outro género (espirituais, sexuais, económicos, de autoridade, de consciência). Trata-se de uma ferida aberta, que continua a infligir dor às vítimas e aos sobreviventes, às suas famílias e comunidades”, pode ler-se.

Os contributos recolhidos na primeira fase sinodal, que decorreu a nível diocesano desde outubro de 2021, apontam a transparência como “um fator essencial para uma Igreja autenticamente sinodal”.

“Assinala-se também a importância de proporcionar formas de acolhimento e proteção às mulheres e aos eventuais filhos dos sacerdotes que quebraram o voto do celibato, que de outro modo correm o risco de sofrer graves injustiças e discriminações”, realça o texto.

Após a primeira fase deste processo sinodal, chegaram ao Vaticano 112 relatórios das 114 Conferências Episcopais e das Igrejas Católicas Orientais, de Institutos de Vida Consagrada, organismos da Santa Sé, movimentos, associações, pessoas singulares e grupos que inspiram o novo documento orientador para a Etapa Continental, até às Assembleias Sinodais marcadas entre janeiro e março de 2023.

O novo documento de trabalho assume “dificuldades” neste processo, do impacto da pandemia a “claras” expressões de rejeição da proposta lançada pelo Papa.

“Numerosas sínteses mencionam os medos e as resistências da parte do clero, mas também a passividade dos leigos”, precisam os autores.

Foto: Synod.Va

As várias sínteses enviadas ao Vaticano apontam a importância de “libertar a Igreja do clericalismo, de modo que todos os seus membros, tanto sacerdotes como leigos, possam realizar a missão comum”.

Os participantes dos cinco continentes criticam “estruturas hierárquicas que favorecem tendências autocráticas” e “uma cultura clerical individualista que isola as pessoas e fragmenta as relações entre sacerdotes e leigos”.

O texto publicado pela Secretaria-Geral do Sínodo assinala que a Igreja tem “necessidade de dar uma forma e um modo de proceder sinodal também às próprias instituições e estruturas, particularmente de governo”.

“Caberá ao direito canónico acompanhar este processo de renovação das estruturas, também através das necessárias modificações das ordens atualmente em vigor”, indica o organismo do Vaticano.

OC

O Papa anunciou a 16 de outubro, no Vaticano, que o processo sinodal iniciado em 2021 vai ser prolongado em mais um ano, com uma dupla sessão conclusiva, em 2023 e 2024.

A 16ª assembleia geral do Sínodo dos Bispos, com o tema ‘Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão’, começou, nos últimos meses, com um processo inédito de consulta e mobilização, de forma descentralizada, a nível de cada diocese, preparando os encontros continentais que vão decorrer nos próximos meses.

O Sínodo dos Bispos pode ser definido, em termos gerais, como uma assembleia de representantes dos episcopados católicos de todo o mundo, a que se juntam peritos e outros convidados, com a tarefa ajudar o Papa no governo da Igreja.

 

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