Reflexão de mais de três centenas de jovens diz que as diferenças entre o seu modo de pensar e o da Igreja «impede de caminhar juntos»

Lisboa, 24 jun 2022 (Ecclesia) – O Corpo Nacional de Escutas promoveu uma consulta a mais de três centenas de escuteiros no âmbito do Sínodo dos Bispos 2021-2023, indicou os motivos que afastam os jovens da Igreja Católica, afirmando que precisa de ser “alegre e dinâmica”.

“Impõe-se à Igreja o desafio e a necessidade de se re-transformar numa Igreja alegre e dinâmica que não se encerra em si mesma e não celebra para si, mas que sai ao encontro de todos a anunciar o Evangelho de Jesus Cristo, testemunhando a alegria da fé, adaptando a sua linguagem aos tempos atuais e acompanhando os sinais dos tempos”, afirma-se no documento com a síntese do Corpo Nacional de Escutas (CNE), enviado hoje à Agência ECCLESIA.

A reflexão sinodal decorreu nos Agrupamentos do Corpo Nacional de Escutas e foi elaborada uma síntese com as principais conclusões a partir das opiniões de 341 escuteiros inquiridos, nomeadamente 188 lobitos, 60 exploradores, 53 pioneiros, 24 caminheiros e 16 dirigentes.

Para o CNE o principal motivo que afasta os jovens da Igreja e “os impede de caminhar juntos assenta na diferença existente entre o seu modo de pensar e a doutrina da Igreja Católica, referindo que a Igreja tem uma ‘mentalidade retrógrada’ e desajustada dos tempos em que vivemos”.

As diferenças no modo de pensar estão em questões como “a integração dos casais homossexuais e dos recasados no seio da Igreja”, que “são deixadas à margem”, e “a questão relativa à contraceção é apresentada como questão de contraste e oposição à ‘normalidade’ oferecida pelo mundo, fruto da secularização, sendo considerada pelos jovens uma dimensão e um olhar desatualizado por parte da Igreja que não vai ao encontro daquilo que a sociedade vê como aceitável”.

A síntese da consulta realizada no CNE no âmbito do Sínodo dos Bispos 2021-2023 refere-se que “o eixo axiológico pelo qual atualmente os fiéis regem as suas vidas é, em certa medida, coincidente com as verdades e a doutrina do cristianismo”, traduzido no “amor e o cuidado pelo próximo, o respeito pelo outro, a aceitação, a igualdade e a entreajuda”.

Os escuteiros lembram que, por causa de “inúmeras ofertas e oportunidades”, os jovens “dispersam e a Igreja deixa de fazer parte das suas prioridades”, tornando-se “necessário e urgente que a Igreja repense qual é, não o lugar dos jovens na Igreja, mas qual o seu lugar na vida dos jovens a fim de que estes possam encontrar, no seu seio, o seu lugar e a sua vocação”.

A síntese do documento sinodal do CNE pede “uma maior proximidade e disponibilidade” em relação aos sacerdotes e bispos, referindo que, “em vez de longas homilias, sentem mais benéficas as conversas espirituais que por vezes têm com um sacerdote que os ajuda a progredir na relação com Deus em ordem à santidade”.

Os escuteiros deixam ainda um “apelo à unidade” e à “necessidade de a Igreja se entender a si mesma como ‘família’”, lamentam que as celebrações litúrgicas não seja “dinâmicas”, falam na “pouca envolvência das mulheres em lugares de destaque e em tomadas de decisão no seio da Igreja” e louvam “o bom caminho” percorrido pela Igreja na criação de espaços de auscultação e partilha”.

O Sínodo 2021-2023, subordinado ao tema ‘Para Uma Igreja Sinodal: comunhão, participação, missão, ’promove um processo global de escuta e mobilização das comunidades católicas, com etapas diocesanas, nacionais e continentais antes da assembleia que o Vaticano vai receber, em outubro de 2023.

PR

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