Cidade do Vaticano, 24 out 2019 (Ecclesia) – A religiosa brasileira Roselei Bertoldo, da rede “Um Grito pela Vida”, envolvida na luta contra o tráfico de pessoas, denunciou durante o Sínodo especial para a Amazónia as consequências de um “crime muito invisível”.

“É um crime que se interliga com o tráfico de drogas e o tráfico de armas”, declarou, em conferência de imprensa, no Vaticano, esta quarta-feira.

A irmã Roselei Bertoldo participa no Sínodo como ouvinte (auditora); integra a comunidade Bem-Aventurada Bárbara Maix, de Manaus, na Amazónia.

Segundo a religiosa da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, o tráfico de pessoas tem com poucas denúncias, em particular no que diz respeito “à exploração sexual de meninas e mulheres” das comunidades indígenas.

A responsável da rede “Um Grito pela Vida” defendeu a necessidade de “dar visibilidade” às vítimas e sensibilizar as pessoas, para que possam denunciar.

Um dos maiores problemas, precisou a religiosa, é o da “servidão doméstica”, quando meninas são tiradas das comunidades indígenas para estudar fora e acabam por ser exploradas sexualmente e obrigadas a trabalhar como escravas.

Nas primeiras propostas escritas da assembleia iniciada a 6 de outubro, os grupos de língua portuguesa alertaram para “o tráfico de crianças e mulheres, de órgãos e drogas, ameaças e criminalização de lideranças”.

“O tráfico de pessoas deve ser combatido e a Igreja não pode ficar omissa: que as paróquias criem espaços seguros para crianças, adolescentes e vulneráveis”, pedem os participantes, propondo ainda que “seja assumido um trabalho de prevenção junto de crianças e adolescentes sobre o abuso sexual, tráfico de pessoas, narcotráfico e feminicídio”.

Na segunda e terça-feira, os grupos linguísticos (círculos menores) elaboraram propostas entregues ao relator geral e os secretários especiais do Sínodo 2019, tendo em vista a redação do documento final, que vai ser votado este sábado.

OC

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