Bispo presidiu à Eucaristia na igreja de Santo André, no Barreiro, onde partilhou experiência na visita pastoral a Almada

Barreiro, 30 mar 2026 (Ecclesia) – O bispo de Setúbal presidiu à Missa de Domingo de Ramos no Barreiro, onde apelou à diocese para dar testemunho da Cruz e de Jesus, lembrando que hoje muitos não sabem quem foi Cristo.
“Meus irmãos e minhas irmãs, eu peço-vos que cada um possa responder e assumir o compromisso de dar testemunho da Cruz e de Jesus. Não é preciso rachar cabeças e pôr lá dentro a Bíblia, é preciso dar testemunho com a vida”, afirmou D. Américo Aguiar, na homilia enviada à Agência ECCLESIA.
Na Eucaristia, na igreja de Santo André, o cardeal recordou que se vive a Semana Maior, a Semana Santa, momento central do ano litúrgico, que termina com a celebração da ressurreição de Cristo.
“Se eu perguntar em alguns sítios qual é a festa mais importante do Natal, dirão muitos que é o Natal, mas não é, é a Páscoa. E se eu perguntar porque é que vivemos a Páscoa, uns dirão que são férias da escola, outros dirão que é o cabrito, amêndoas, mas perceber o que é importante nesta altura do ano já nem todos conseguem dizer”, salientou.
Num momento em que se encontra a fazer visitas pastorais em Almada, o bispo deu conta que foi surpreendido na chegada às escolas com uma questão dos meninos e adolescentes sobre o objeto que traz ao peito.
Eu estava habituado a que pelo menos todos soubessem que isto era uma Cruz, mas hoje isso já não é certo que todos saibam. Para alguns é um adereço, uma ourivesaria. Não nos podemos esquecer que há jovens, famílias, homens e mulheres para quem a cruz já não significa nada, e por isso temos de relembrar, testemunhar o que é que significa a Cruz”, referiu.
“E quando eu lhes falo de Jesus, aí é que estou tramado, porque se não sabem o que é a Cruz, muito menos sabem quem foi Jesus”, relatou.
O cardeal exorta a superar este desafio, indicando que o “todos, todos, todos” significa que é necessário levar o “anúncio de uma Cruz que é salvação a todos os irmãos e irmãs”.
“Parto do princípio que esta procissão que fizeram levou algumas pessoas a perguntar o que se passava na rua. Viram umas pessoas estranhas, umas músicas que não conheciam, e ter-se-ão questionado quem seria aquela gente”, disse o bispo diocesano.
D. Américo Aguiar espera que as outras pessoas, ao olharem para os católicos em casa, no trabalho, na escola, no lazer, perguntem “porque é que eles se amam, são tão felizes, se respeitam e parecem uma família”.
“Meus queridos irmãos e irmãs, Jesus e a Cruz são provocação. Aliás, naquele tempo, Paulo dizia que era loucura. Por isso, não podemos enterrar a cabeça na areia. Nós somos uma percentagem pequenina da freguesia, da vila, da cidade, da península, do país”, referiu.
O cardeal incentivou os diocesanos a não guardarem para eles o testemunho da Cruz de Jesus, recordando que se os primeiros irmãos o tivessem feito, hoje não estariam ali.

“Também se está a quebrar a tradição de que a mãe, ou a avó, dão esse testemunho na família. E muitas crianças chegavam à catequese e sabiam os mínimos, porque alguém lhes ensinava, mas também isso está a falhar. Sei que parece que estou a lançar um cenário muito negativo, mas é apenas realista”, mencionou.
No final da homilia, o bispo diocesano desejou que a “Semana Santa possa abençoar, fortalecer e proteger a cada um, para que a escolha por Barrabás seja cada vez menor” e um dia todos saibam que toda a “vida reflete o testemunho de Jesus Cristo”.
A Igreja Católica inicia, com o Domingo de Ramos, a Semana Santa, que recorda os dias da prisão, julgamento e execução de Jesus, culminando com a Páscoa.
LJ/OC



