Conferência Episcopal deixa indicações, após «forte abrandamento das restrições» provocadas pela pandemia

Foto: Diocese do Porto/João Lopes Cardoso

Lisboa, 14 abr 2021 (Ecclesia) – A Igreja Católica começa hoje a celebrar o Tríduo Pascal, ciclo central do calendário católico ligado à morte e ressurreição de Jesus Cristo, depois de dois anos marcados pelas limitações impostas pela pandemia.

A 28 de fevereiro, a CEP anunciou novas orientações para o culto e atividades pastorais, prevendo, entre outras medidas, a possibilidade de se realizar a tradicional visita pascal, suspensa desde 2020.

O texto pede “especial cuidado como o uso da máscara e a higienização” no  rito do lava-pés, desta Quinta-feira Santa.

“No rito de adoração da cruz na Sexta-feira Santa, deve omitir-se o beijo na cruz, substituindo-o pela genuflexão ou inclinação; pode-se retomar a visita pascal, omitindo-se o beijo à cruz”, refere o documento.

Em 2021, a CEP tinha mantido a suspensão de procissões e outras manifestações populares da Semana Santa e Páscoa, entre elas o tradicional “compasso”; em 2020, por causa da pandemia, as celebrações não contaram com a participação da assembleia.

As orientações mantêm a recomendação de um “distanciamento responsável entre as pessoas” que não integrem o mesmo agregado familiar e do “uso de máscaras para todos”.

Os bispos determinam que a Comunhão deve continuar a ser ministrada apenas na mão dos fiéis e anunciam o regresso da saudação da paz (facultativa), através de “um sinal sem contacto físico”, por exemplo, uma vénia ou inclinação.

A Congregação para o Culto Divino, da Santa Sé, enviou uma nota aos bispos e às Conferências Episcopais de todo o mundo sobre as celebrações da Semana Santa, confiando à cada Igreja local as indicações a dar, perante a evolução da pandemia.

“Tendo em vista o abrandamento da pandemia, mesmo com ritmos diferentes em cada país, não pretendemos oferecer novas disposições para as celebrações da Semana Santa: a experiência que as Conferências Episcopais adquiriram nos últimos anos permite, certamente, enfrentar as várias situações da forma mais adequada, vigiando sempre para que sejam observadas as normas rituais contidas nos livros litúrgicos”, pode ler-se na nota, divulgada pelo Vaticano.

O texto recorda a “difícil situação da pandemia” que marcou as celebrações pascais dos últimos dois anos, convidando bispos e conferências episcopais a manter “a prudência, evitando gestos e comportamentos que possam envolver riscos”.

“Qualquer avaliação e decisão deve ser sempre feita de acordo com a Conferência Episcopal, que levará em consideração as normas que as autoridades civis competentes estabelecerão nos diversos países”, indica a Santa Sé.

Foto: Diocese da Guarda

Esta quinta-feira começa com a Missa Crismal, a celebração em que o clero de cada diocese se reúne à volta do seu bispo.

Nesta Eucaristia são abençoados os óleos dos catecúmenos e dos enfermos e consagrado o óleo do crisma, utilizados na celebração de vários sacramentos.

Quanto à Missa vespertina da “Ceia do Senhor”, que evoca a instituição da Eucaristia e do sacerdócio, recordando a Última Ceia, omite-se o tradicional gesto do lava-pés.

No final da celebração, o Santíssimo Sacramento poderá ser levado, como se prevê no rito, para o lugar da reposição numa capela da igreja onde se possa fazer a adoração, “no respeito das normas para o tempo da pandemia”.

Simbolicamente, o altar da celebração é desnudado, como sinal do despojamento e sofrimento do Cristo, sendo sugerido ainda que se cubram as cruzes da Igreja com um véu de cor vermelha ou roxa.

Após a Missa, só volta a existir celebração da Eucaristia na Vigília Pascal, no final do próximo sábado.

O conjunto de celebrações que se desenrolam no chamado Tríduo Pascal remonta ao início do Cristianismo, seguindo as indicações deixadas pelos Evangelhos sobre estes acontecimentos.

O ‘Tríduo’ – palavra latina, que significa um período de três dias – apresenta-se como uma espécie de “centro de gravidade” do ano litúrgico, no qual a Igreja Católica assinala os momentos os momentos da prisão, julgamento e morte de Jesus, culminando na celebração da sua ressurreição, a Páscoa.

OC

Páscoa: Igreja deixa orientações para o «Compasso», omitindo beijo à Cruz

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