Pandemia obriga a alterações na Missa da Ceia do Senhor, sem tradicional gesto do lava-pés, e a suspensão das procissões, em Portugal


Lisboa, 01 abr 2021 (Ecclesia) – A Igreja Católica começa hoje a celebrar o Tríduo Pascal, ciclo central do calendário católico ligado à morte e ressurreição de Jesus Cristo, pelo segundo ano consecutivo com limitações impostas pela pandemia de Covid-19.

“Na noite de Quinta-feira Santa, ao entrarmos no Tríduo pascal, reviveremos na ‘Missa in Coena Domini’, isto é, a Missa em que se comemora a Última Ceia, o que acontece nesse momento”, explicou o Papa, na catequese que dedicou, esta quarta-feira, ao Tríduo Pascal 2021.

É a noite em que Cristo entregou aos seus discípulos o testamento do seu amor na Eucaristia, não como uma lembrança, mas como um memorial, como a sua presença perene. Cada vez que se celebra a Eucaristia, refaz-se, renova-se este mistério da redenção.

Francisco convida a celebrar a “salvação de qualquer escravidão” e a viver o amor ao próximo.

“É a noite em que Jesus nos pede para nos amarmos uns aos outros, tornando-nos servos uns dos outros, como fez ao lavar os pés dos discípulos. É um gesto que antecipa a cruenta oblação na cruz, que foi oblação de serviço para todos nós, porque com o serviço do seu sacrifício redimiu-nos a todos. O Mestre e Senhor morrerá no dia seguinte para tornar limpos não os pés, mas os corações e a inteira vida dos seus discípulos”, indicou.

As cerimónias de 2021 vão decorrer em Portugal com celebração comunitária da Missa, ao contrário do que aconteceu em 2020, mas ainda sem procissões e outras manifestações de devoção popular que marcam estes dias nas ruas do país.

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) determinou que a Missa Crismal seja celebrada na manhã desta Quinta-feira Santa ou, segundo o costume de algumas Dioceses, já na tarde da última quarta-feira.

A Missa Crismal é a celebração em que o clero de cada diocese se reúne à volta do seu bispo.

Nesta Eucaristia são abençoados os óleos dos catecúmenos e dos enfermos e consagrado o óleo do crisma, utilizados na celebração de vários sacramentos.

Foto: Diocese da Guarda

Quanto à Missa vespertina da “Ceia do Senhor”, que evoca a instituição da Eucaristia e do sacerdócio, recordando a Última Ceia, omite-se o tradicional gesto do lava-pés.

No final da celebração, o Santíssimo Sacramento poderá ser levado, como se prevê no rito, para o lugar da reposição numa capela da igreja onde se possa fazer a adoração, “no respeito das normas para o tempo da pandemia”.

Simbolicamente, o altar da celebração é desnudado, como sinal do despojamento e sofrimento do Cristo, sendo sugerido ainda que se cubram as cruzes da Igreja com um véu de cor vermelha ou roxa.

Após a Missa, só volta a existir celebração da Eucaristia na Vigília Pascal, no final do próximo sábado.

O conjunto de celebrações que se desenrolam no chamado Tríduo Pascal remonta ao início do Cristianismo, seguindo as indicações deixadas pelos Evangelhos sobre estes acontecimentos.

O ‘Tríduo’ – palavra latina, que significa um período de três dias – apresenta-se como uma espécie de “centro de gravidade” do ano litúrgico, no qual a Igreja Católica assinala os momentos os momentos da prisão, julgamento e morte de Jesus, culminando na celebração da sua ressurreição, a Páscoa.

OC

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