Alberto Pereira leva livros, como companhia, para este «massacre positivo»

Alberto Pereira

Lisboa, 22 jul 2019 (Ecclesia) – Alberto Pereira é enfermeiro e fez vários itinerários do caminho que levam a Santiago de Compostela, numa descoberta da “vertente espiritual” e do “desapego em permanência”.

“Em 2014 passei uma fase difícil da vida e quis perceber alguns parâmetros que me incomodavam, fui uns dias para um templo com os monges budistas e decidi que queria descobrir o desapego em permanência, por exemplo”, afirmou.

“Queria explorar a vertente da espiritualidade e desafiei um cunhado meu e em 2015 e 2016 percorremos o caminho de Valença a São Tiago, que são cerca de 120 km”, explica em declarações à Agência ECCLESIA. 

Quando partiu para a descoberta este enfermeiro “não conhecia grande coisa do caminho”, as pesquisas na internet deram uma ajuda e este tornou-se um bom método para explorar a área espiritual da sua vida. 

“Não ia com grandes expetativas e realmente depois percebi que há uma energia especial; não sei se é de estarmos desligados de todas as coisas, de andar na floresta, estarmos isolados, não ter contacto com os amigos, não estar a telefonar constantemente ou nas redes sociais e isso acabou por me levar a estar focado no caminho, perceber como tudo pode ser muito simples”, defende. 

Depois de duas vezes a fazer o caminho português, de Valença a Compostela, seguiram-se itinerários mais longos. Alberto Pereira percorreu o caminho Francês, o caminho da Prata e o caminho da Costa, todos eles são mais de 30 dias a caminhar.

“Depois percebi que havia muita gente a fazer o caminho sozinho, quis explorar isso e percebi que era muito diferente, porque vamos ao nosso ritmo, falamos com quem queremos, partimos quando queremos”, refere.

Alberto Pereira confessou ainda que tinha alguns receios, quer ao nível físico, “apesar de ter praticado desporto desde criança”, quer ao nível de insegurança e fez sempre o caminho sem recorrer a música. 

“Há alguns receios porque não tinha a experiência de um caminho tão longo, atravessam-se grandes trechos sem encontrar ninguém, podemos ser assaltados, é preciso ter determinado tipo de cuidados”, salienta.

Alberto Pereira

Apesar de considerar o caminho como um “massacre positivo”, para Alberto Pereira o caminho induz a boas rotinas e torna o “silêncio como algo essencial”, para que se esteja desperto a vivências e experiências que acontecem naqueles dias.

Quanto à sua vertente profissional, Alberto nunca desvenda que é enfermeiro, “senão seriam muitas as solicitações” mas tentou ajudar várias pessoas no caminho,”por exemplo com dificuldades nos joelhos”.

Na experiência do caminho Alberto aproveita para pôr a leitura em dia, leva “quilos de livros às costas” e tira apontamentos, saboreando a paisagem. Gosta de escrever, tem alguns livros publicados e um livro sobre o caminho de Santiago “poderá acontecer um dia”.

Tantos quilómetros, dias e vivências ao longo do caminho que, ao chegar a Compostela, Alberto precisa de ter ‘’espaço e silêncio”.

“A chegada é sempre grandiosa mas quando se faz um caminho muito longo a sensação é exponenciada… Quando partimos há receio se vou ser capaz, ao longo dos dias a energia é potenciada, e quando chego a Santiago tenho de pôr música, faz-me impressão a azáfama, o barulho dos carros e as pessoas a falar…

É inexplicável a chegada, quem chega chora, deita-se no chão e fica-se ali uma hora a olhar para a catedral, ali descontraído, a pensar que se alcançou a coisa mais grandiosa da sua vida, quando é algo tão simples”, conclui.

SN

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