Coordenador de pastoral do Colégio Pedro Arrupe destaca o aumento do número de alunos motivados a peregrinar

Lisboa, 24 jul 2019 (Ecclesia) – Pedro Luz, coordenador pastoral do Colégio Pedro Arrupe, assume a experiência do caminho de Santiago como «forte e radical» para os alunos do 11º ano que desafiam a resistência física e descobrem o poder da inter-ajuda. 

“Esta atividade integra-se no plano do tipo de pessoa que queremos formar, que está vincada pelos oito C’s – alguns como pessoa Consciente, Compassiva, Comprometida, Criativa, Cooperativa – balizas que servem para arranjarmos atividades que sirvam para isso. Fora da escola surgiu como grande oportunidade da experiência do caminho a Santiago, experiência forte e radical, de uma forma que não imaginam o que é experimentar a radicalidade de se fazerem ao caminho”, diz em declarações à Agência ECCLESIA. 

O Colégio Pedro Arrupe, em Lisboa, define-se como um colégio cristão, onde a formação religiosa na fé católica é integral ao seu projeto educativo, e peregrinar a Santiago de Compostela surge como “proposta aos alunos do 11º ano”, no fim do 2º período do ano letivo, e “muitos já sabem da proposta pelos irmãos mais velhos, sendo uma motivação”. 

“Há outro professor de EMRC que, de forma engraçada, diz que ‘ninguém é obrigado a ir… mas se querem realmente ir têm de deixar de lado os telemóveis’. E isso torna-se fácil porque o próprio caminho é um itinerário pedagógico, levar uma mochila às costas, atravessar trilhos, passar por marcos, conhecer pessoas no mesmo caminho, as suas histórias, de expectativas, alegrias e desilusões, e o telemóvel só é usado no final do dia quando liga algum pai ou mãe”.

O também professor de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) realça que a iniciativa partiu de um trabalho em conjunto, da formação humana e pastoral, da disciplina de EMRC, no colégio disciplina de Religião e com o apoio da direção de ciclo. 

Há cinco anos que este colégio lançou a proposta e o número de alunos interessado tem vindo a aumentar, no primeiro ano o grupo levou 63 alunos e agora limitam as inscrições.

“Este ano, nas férias da Páscoa, levámos 83 peregrinos e agora já temos também alguns pais a querer fazer o caminho”, destaca Pedro Luz, de sorriso na cara.

Com um grupo grande, com jovens de 16 anos, o caminho torna-se, muitas vezes, mais complicado, seja por razões logísticas, seja por outras razões pessoais. 

“Fazemos parte do caminho francês, saímos de Sarria, na Galiza, fazemos 116 km, o tempo ideal para a experiência forte de encontro consigo, com os outros e com Deus, deslumbrar-se na presença das coisas mais simples da vida, ver no sofrimento, a alegria e a presença de quem está ao seu lado… descobrir colegas de outras turmas que ficam mais próximos nesta experiência”, refere.

Foto: Colégio Pedro Arrupe

Quanto a dificuldades no caminho Pedro Luz diz que “não se pode negar”, nomeadamente dificuldades ao nível físico e “nunca se está preparado a 100%” porque há sempre alunos mais propensos a bolhas, por exemplo, e isso é também um desafio para os professores que os vão preparando ao longo do ano. 

“Mas há também um combate consigo próprio, com a solidão, o superar um desafio que lhe é  colocado…”, aponta.

Pedro Luz faz o caminho com os alunos e conta que o ambiente é de descontração que se vai ganhando ao longo dos dias, onde os professores “caminham com os seus alunos”, carregam a responsabilidades e quando chegam a Compostela entregam o “caminho, as vidas e as suas próprias famílias”.

“Para os alunos a chegada tem dois momentos: quando se desce o Monte do Gozo, aí juntamos o grupo todo e onde os antigos peregrinos começavam a identificar a catedral, depois de tanto tempo a caminhar… Mas Santiago foi crescendo e hoje é com dificuldade que se vê entre prédios e fábricas mas já se sente uma certa alegria e a viagem ainda demora 1h a pé… “, recorda.

Depois quando já se entra na praça do Obradoiro Pedro Luz afirma que os alunos ali percebem o feito e “há uma libertação”.

“Quando se colocam diante da fachada principal da Catedral, cheia da sua beleza arquitetónica e aí o momento é muito forte entre lágrimas de alegria e agradecimento, amizade junto de colegas e professores… é um grande momento de libertação que só dá para lidar com ele através do silêncio e das palmas”, conta.

SN

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