Com a proximidade do 13 de maio os peregrinos voltam à estrada e os espaços querem acolher em segurança

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Santarém, 08 mai 2021 (Ecclesia) – O padre Joaquim Ganhão, responsável pelo Centro Diocesano de Pastoral de Santarém, disse hoje à Agência ECCLESIA que, com o desconfinamento, os grupos de peregrinos começam a aparecer e vão “acolher este domingo o primeiro grupo rumo a Fátima”.

“Temos amanhã o primeiro grupo de peregrinos, que chegam para almoço, e, a partir daí, temos o serviço mais organizado para receber mais grupos, com as pessoas que acolhem e procuram ajudar aqui na casa”, afirmou o responsável à Agência ECCLESIA.

Com o progressivo desconfinamento e aproximação da peregrinação aniversária de 13 de maio os peregrinos de Fátima começam a “voltar à estrada”.

“Pediram-nos acolhimento dez grupos mas são grupos mais reduzidos, de 10 a 20 pessoas, no máximo, num universo como a nossa casa que consegue acolher 90 pessoas”, explica. 

O padre Joaquim Ganhão refere que, “em Santarém cruzam-se muitos grupos vindos de Lisboa e de toda a zona do Alentejo, desde Évora, Beja, ou Setúbal, muitos grupos pernoitavam aqui” e o espaço, com todos os cuidados necessários, quer continuar a acolher.

“Os grupos vêm juntos e fica uma pessoa por quarto, partilhando o quarto se viverem na mesma casa, depois temos todos os cuidados de higienização das mãos e o uso de máscara, além de procurarmos que não se cruze mais do que um grupo no mesmo espaço”, esclarece o responsável.

O Centro Diocesano presta acolhimento aos peregrinos com a possibilidade de “alojamento, banho quente, refeições e retempero de forças” mas também de acolhimento espiritual por parte dos sacerdotes que ali vivem, “seja celebração de eucaristia ou confissões”.

“Não somos uma unidade hoteleira, nem hostel, somos uma casa da Igreja que procura cumprir as obras de misericórdia dando pousada aos peregrinos, as pessoas oferecem o que entendem, mas queremos receber bem quem pede este serviço”, assume.

O sacerdote conta ainda que o “número de grupos de peregrinos que ali pedem acolhimento foi aumentando” e destaca as “diferentes proveniências e circunstâncias” dos grupos, como ser um “grupo de peregrinos de uma paróquia ou movimento mas também um grupo de colegas de trabalho que se organizam e peregrinam a Fátima”.

“Nota-se uma intensidade de fé, os grupos que vão passando por aqui deixam esta matriz de levar a peregrinação a sério, não é um passeio nem exercício físico mas há uma motivação espiritual e neste tempo de pandemia creio que será ainda maior”, afirma. 

Também a paróquia de Valada, na diocese de Santarém, é um dos pontos de paragem conhecidos para quem faz o caminho do Tejo, rumo a Fátima. 

O padre Miguel Ângelo, pároco, contou à Agência ECCLESIA que, também neste domingo, “espera o primeiro grupo organizado para ali pernoitar”. 

“Amanhã recebemos um grupo organizado, de 15 pessoas, e durante a semana vão aparecer mais dois ou três grupos”, conta. 

O salão paroquial, com acesso a cozinha, que “noutros anos acolhia 50 peregrinos está reduzido a 25 lugares”, devido às regras em tempo de pandemia.

DR – Paróquia de Valada, diocese de Santarém

“Tivemos de adequar o espaço mas também o preço, para depois proceder à higienização e suportar os custos de limpeza, mas os peregrinos que marcaram percebem esta situação”, partilha.

O sacerdote, que faz este acolhimento aos peregrinos há cinco anos, vai sentindo que, quem faz este caminho do Tejo são “pessoas diferentes”, com uma “dimensão espiritual profunda”. 

“Há peregrinos de dimensão religiosa claramente, sobretudo para Fátima e também para Santiago, nota-se desejo de Deus, esta atitude de poder voltar nesta fase de desconfinamento e depois temos os peregrinos ou caminhantes que vêm com outras motivações”, assume.

Ali passam também os peregrinos que seguem até Santiago de Compostela e o padre Miguel Ângelo acredita que os “meses de junho e julho irão passar por ali mais e esses simplesmente aparecem”.

“Acolher é uma experiência muito positiva, garanto o acolhimento ou abro simplesmente a porta, viver esta obra de misericórdia, sinto-me tocado por isso e, mais em pandemia, ver as pessoas a retomar os hábitos e o que faz parte delas”, admite.

SN

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