Santa Sé critica apatia da comunidade internacional em relação ao Médio Oriente

A Santa Sé criticou a apatia da comunidade internacional em relação ao Médio Oriente, manchado pelo “ciclo interminável de violência e terrorismo, de acções e reacções militares na Terra Santa”. O representante do Papa nas Nações Unidas, D. Celestino Migliore, criticou na Assembleia Geral da Organização a “relutância” da comunidade internacional em seguir o caminho da paz duradoura” e a “retórica” que tem envolvido todo esse processo. O arcebispo Migliore discursou ontem numa comissão dedicada ao tema dos refugiados na Palestina e no Médio Oriente. A intervenção, hoje divulgada pela Santa Sé, refere que há “pouca acção política” para a resolução dos problemas. “Só com uma paz justa e duradoura, não imposta, mas assegurada pela negociação, serão respeitadas as legítimas aspirações de todos os povos daquela terra”, destacou o observador permanente da Santa Sé na ONU. “É a relutância da comunidade internacional que não leva os líderes israelitas e palestinianos a negociar de boa fé”, acrescentou. O prelado lamentou que o “road map”, plano de paz para o Médio Oriente, ainda não tenha sido iniciado e adiantou que “sem as negociações necessárias não existirão oportunidades de reconciliação, perdão, compromisso ou colaboração”. A Santa Sé tem-se mostrado convencida de que Jerusalém pode passar de um problema a um motivo de paz na Terra Santa, mas para isso precisa de um estatuto especial. O cardeal Jean-Louis Tauran, antigo chefe da diplomacia do Vaticano, considerou recentemente que para salvar o carácter sagrado e único de Jerusalém é necessário “elaborar um estatuto especial, garantido no âmbito internacional, para os locais mais sagrados da cidade”, ou seja, os lugares santos do Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Na ONU, o arcebispo Migliore denunciou, desta vez, “a violência, a restrição aos movimentos e a falta de acessos aos lugares religiosos”, que já obrigaram muitos a abandonar definitivamente a Terra Santa. “De terra de amor e paz, esta passou a ser a terra da divisão, destruição e morte”, lamentou. Nesse sentido, pediu aos responsáveis políticos e religiosos que abandonem a “política de continua separação”, optando por promover a comunicação entre as partes. O arcebispo Migliore pediu à ONU que tome como prioridade a definição do “estatuto internacional de Jerusalém” como forma de levar a paz ao Médio Oriente.

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