O observador permanente da Santa Sé na ONU, D. Celestino Migliore, apelou a todas as nações que ainda não o fizeram para que ratifiquem o Tratado de não-proliferação nuclear. O pedido foi avançado em Nova Iorque, durante a Conferência sobre a entrada em vigor do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBT, siglas em inglês), sendo dirigido em particular a países como os Estados Unidos da América, Índia, Paquistão e Israel. “Alcançar a universalidade em pôr fim ao desenvolvimento das armas atómicas representaria uma valiosa liderança e um elevado sentido de responsabilidade política na promoção da cultura e da paz, baseada na primazia da lei e no respeito pela vida humana”, defendeu o Arcebispo Migliore. Na sua intervenção, o prelado sustentou que “pôr fim para sempre aos testes de armas nucleares” deve ser objectivo de todos os Estados. Depois da Guerra Fria, a dissuasão nuclear “é cada vez mais insustentável”, acrescentou. Caso este objectivo não seja atingido, adiantou o representante da Santa Sé, isso ameaçaria “a existência de numerosos povos, em diversas partes do mundo”. Desde a aprovação do CTBT, em 1996, até hoje, 176 assinaram o Tratado e 125 ratificaram-no. A entrada em vigor, contudo, “é impedida pela falta de universalidade”; como advertiu D. Migliore. O CBTB proíbe os testes nucleares e instaura uma rede de verificação no mundo, que deverá incluir 321 postos de controlo e 16 laboratórios instalados em 90 países, capazes de detectar explosões nucleares em qualquer ponto do globo terrestre. O representante católico assegurou que a Santa Sé “une-se a quantos pedem que o tratado seja assinado pelos Estados que ainda não o fizeram, assinatura que é necessária para a entrada em vigor do mesmo”. D. Celestino Migliore aludiu, igualmente, ao fracasso da recente conferência sobre o Tratado de não-prolferação de armas nucleares, deixando um alerta: “a humanidade inteira deve preocupar-se com o facto de armamentos nucleares estarem a converter-se numa característica permanente de algumas doutrinas militares”. Para fazer face a este perigo, o representante vaticano defendeu a necessidade de “potenciar a decisão de construir um corpo de direito internacional para edificar um mundo livre de armas nucleares”. A Santa Sé ratificou o CBTB em 18 de Julho de 2001.
