«Uma vida assim vivida tão intensamente pode encher de vida a própria morte» – Cardeal-patriarca de Lisboa

Lisboa, 21 fev 2020 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa homenageou Santa Jacinta Marto, referindo que a vidente de Fátima viveu “tão intensamente” que conseguiu “encher de vida a própria morte”.

“É muito significativo que 100 anos depois de ter aqui falecido uma criança, que ainda nem sequer tinha completado 10 anos, o seu exemplo, a vontade que tinha que ninguém se perdesse, que toda a gente se salvasse, que era isso que ela alimentava, tivesse deixado tanta presença, tanta mensagem, tanta vontade das pessoas aqui virem”, disse D. Manuel Clemente.

O responsável católico falava aos jornalistas, depois de presidir à Eucaristia na capela do Hospital Dona Estefânia, onde faleceu Santa Jacinta Marto.

D. Manuel Clemente assinalou que nesta unidade de saúde pediátrica entram muitas pessoas, “muitas crianças da idade da Santa Jacinta”, que com as famílias “conhecendo essa história, se sentem também alentadas e acalentadas”.

“Isto dá-nos que pensar, uma vida assim vivida tão intensamente pode encher de vida a própria morte”, acrescentou.

D. Manuel Clemente destacou que o testemunho de Santa Jacinta Marto “é muito bonito” porque conseguiu viver os momentos no hospital “com aquela preocupação que alimentou a sua alma infantil mas forte de que ninguém se perdesse”.

“Que o seu próprio sofrimento poderia servir para salvar essas mesmas pessoas, era a sua convicção, temos que admirar e respeitar”, assinalou.

Já o reitor do Santuário de Fátima afirmou que a sua presença em Lisboa, no Hospital onde morreu a mais jovem santa não-mártir na história da Igreja Católica, visou “sublinhar esta dimensão de uma vida entregue até ao fim” e que “acaba por ter sentido enquanto vida dada pelos outros”.

“É sempre oportuno sublinhar em relação a Santa Jacinta que ela foi aquela que por excelência viveu a compaixão, isto é a atenção aos outros, a atenção ao sofrimento dos outros, às suas necessidades”, acrescentou o padre Carlos Cabecinhas, em declarações à Agência ECCLESIA, no dia litúrgico da celebração dos Santos e irmãos Francisco e Jacinta Marto.

O reitor do santuário nacional sublinha que a pequena Jacinta “dá o testemunho de uma coragem enorme”, ao enfrentar os problemas de saúde, mas também por acompanhar “sempre o sofrimento dos outros através da sua oração”.

“Uma chamada de atenção para aqueles que sofrem, a atenção aqueles que estão no momento terminal da sua vida”, salientou.

Com o apoio do Santuário de Fátima, a capelania do hospital pediátrico valorizou o memorial que assinala o local onde estava o quarto onde faleceu Santa Jacinta e o capelão destacou que “há muitos, muitos anos” o espaço “é procurado por muitos peregrinos do mundo inteiro”, e esta sexta-feira, “logo às 09h00”, ia receber “um grupo de 50 polacos”.

“Termos um espaço que assinala este acontecimento virá trazer também enriquecimento para aquilo que é a visita dos grupos, hoje valorizado o espaço é dom muito grande. Daqui a mensagem sairá, não procura mudar a cabeça nem a vida de ninguém, procura transmitir sentido para a vida, acrescentar razão de viver de cada um”, desenvolveu o padre Carlos Azevedo, observando que no “sítio por excelência da devoção, do culto” à Santa Jacinta procuram ser discretos por que “os hospitais não são lugar de evangelização, nem de proselitismo”.

Antes da Eucaristia, os 100 anos da morte da pastorinha vidente de Fátima foram assinalados com a conferência ‘Santa Jacinta em Lisboa’, e, à Agência ECCLESIA, Carla Afonso Rocha explicou que “faz todo o sentido que se conheça e se saiba” que têm “também alguns bocadinhos de céu em Lisboa”.

“No fundo Santa Jacinta veio-nos trazer a Lisboa um bocadinho de Fátima, porque nossa Senhora também lhe aparece aqui em Lisboa no orfanato onde esteve e também aqui no hospital”, explicou.

Carla Afonso Rocha que dinamiza o itinerário espiritual de Santa Jacinta na capital portuguesa, que “está a ser essencialmente para grupos de catequese, indica que passam pelo “sítio que está mais resguardado e mais igual que era há 100 anos”, o quarto no orfanato para “ver a cama onde esteve durante dois dias, alguns objetos pessoais, um vestido” – depois o hospital e a igreja dos Anjos, “onde foi velada durante quatro dias”.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o pároco dos Anjos, o padre Pedro Manuel Nunes, adiantou a intenção de valorizar o local foi velada Santa Jacinta, “uma sala no primeiro andar”, “com o intuito de fazer um espaço de memória, de oração”.

CB/OC

 

Jacinta de Jesus Marto morreu a 20 de fevereiro de 1920, com nove anos e era a filha mais nova de Manuel Pedro Marto e de sua esposa Olímpia de Jesus dos Santos.

Batizada na Igreja Paroquial de Fátima no dia 19 de março de 1910, Jacinta Marto foi beatificada pelo Papa João Paulo II no dia 13 de maio de 2000 e canonizada pelo Papa Francisco a 13 de maio de 2017.

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