Reitor português abriu as portas da instituição à reportagem da Agência ECCLESIA

Roma, 27 out 2017 (Ecclesia) – O reitor da Universidade Pontifícia Gregoriana de Roma, o padre português Nuno Gonçalves, abriu as portas da instituição à Agência ECCLESIA e destacou um projeto que é hoje “reflexo da configuração atual da Igreja Católica”.

“Temos alunos vindos de 120 países, a maior parte deles de fora da Europa. Os estudantes europeus já são menos de metade e acrescem os de África e Ásia”, salientou aquele responsável, que destacou a possibilidade de apoiar realidades “onde a Igreja está a crescer, é mais jovem e onde há maior necessidade de formação”.

Há depois também outro contexto que acompanha a configuração atual das estruturas católicas, que é a presença de cada vez mais leigos.

“Numa universidade eclesiástica como a nossa, temos 78 por cento de alunos seminaristas ou jovens sacerdotes, também religiosos e religiosas. Mas temos já 22 por cento de leigos, muitos enviados pelas próprias dioceses tendo em vista uma missão futura ao nível da Igreja local”, adiantou o reitor.

No meio desta comunidade estudante tão diversificada, o primeiro desafio é mesmo transmitir o conhecimento tendo em conta a “realidade cultura e a formação” de cada um.

“Nós aqui sentimo-nos como um laboratório porque esta grande diversidade não é um dado fácil de gerir. O mais importante é dar os estímulos para que cada um possa dar o máximo de si mesmo”, sublinhou o padre Nuno Gonçalves.

Sobre a configuração desta instituição da Igreja Católica com sede em Roma, ela conta com uma faculdade de ciências socias, que se dedica à sociologia, à doutrina social da igreja e à comunicação social.

Depois tem um instituto de psicologia e dentro dele foi criado há alguns anos um centro para a proteção de menores, para responder às necessidades da Igreja no campo da prevenção dos abusos sobre crianças.

“Ainda há poucos dias recebeu um congresso sobre a dignidade das crianças no mundo digital”, recordou o reitor da Universidade.

A teologia, a filosofia, as ciências humanas, ajudam os alunos a responder às perguntas que em grande parte são as de sempre, sobre o sentido da humanidade, da vida, o nosso futuro.

“As respostas em grande parte também são as de sempre, mas têm de ser com uma linguagem nova, que o mundo de hoje possa perceber”, realçou aquele responsável.

“Mas ao mesmo tempo que nos debruçamos sobre as perguntas de sempre, não podemos negar, nem esconder ou pôr debaixo do tapete, que há muitas perguntas no nosso tempo, que a filosofia, a teologia, as ciências humanas também têm uma palavra a dizer”, acrescentou.

Interpelações “ligadas à evolução científica e tecnológica, à evolução da biologia, à evolução demográfica, aos problemas da imigração e dos refugiados, às questões complexas do mundo económico e financeiro”.

E “há margem para inovar e há liberdade porque estamos ao serviço da Igreja hospital de campanha como diz o Papa Francisco, ao serviço das periferias.Temos de corresponder aos sonhos do Papa Francisco que todos os dias nos desafia com a sua presença e com a sua palavra”, conclui o padre Nuno Gonçalves.

Um sacerdote jesuíta, antigo aluno da Universidade Gregoriana Pontifícia, e que assumiu os destinos desta instituição educativa em setembro de 2016, através de uma nomeação do Papa Francisco.

Antes disso foi responsável pelo departamento nacional dos Bens Culturais da Igreja, em Portugal, bem como decano da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa; e publicou vários estudos sobre a história missionária portuguesa e da Companhia de Jesus.

HM/JCP

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