Frei Filipe Rodrigues lembra «frase antiga do cristianismo»: «O cristão até do mal tira o bem»

Lisboa, 08 abr 2020 (Ecclesia) – Frei Filipe Rodrigues, religioso dominicano, considera que a pergunta sobre o sofrimento é “muda” e devia ser “para quê”, a partir da “significativa” liturgia desta Quarta-feira Santa, quando o servo do Senhor “se submete ao sofrimento”.

“É um servo que sofre injustamente, é um homem justo, é um homem bom, que vê cometido não sabemos se por uma doença ou por qualquer outra injustiça, mas não perde nem a fé nem a esperança”, disse à Agência ECCLESIA.

O entrevistado realça que a primeira leitura de Quarta-feira Santa termina de “uma maneira muito bela” quando o servo do Senhor, no Livro de Isaías, diz “o Senhor veio em meu auxílio não ficarei envergonhado, o Senhor é o meu auxílio e ninguém vai ousar condenar-me”.

“É um convite cheio de força. Nestes dias, e em muitos dias da nossa vida, fazemos a pergunta do ‘porquê’ de pessoas inocentes sofrerem, quer nesta situação tão dramática deste ano do coronavírus, mas há sempre esta atitude de esperança que Deus está connosco”, desenvolveu o religioso, que ao longo desta Semana Santa é convidado do programa Ecclesia transmitido na rádio Antena 1, às 22h45.

Segundo frei Filipe Rodrigues, a pergunta ‘porquê o sofrimento’ “é muda, um beco sem saída”, quando devia ser “para quê”, e encontrar “Deus na resposta é muito importante” porque todos podem “tirar coisas positivas de um grande mal” e recorda a “frase antiga do ristianismo”: “O cristão até do mal tira o bem”.

De tudo isto creio que a nossa sociedade, o nosso mundo, vai sair bastante melhor, atento, vai valorizar a oração, vai valorizar a Eucaristia. Vai valorizar o encontro com o outro. Tudo isto são de certa maneira lições, não que Deus nos dá, mas que podemos tirar destes confinamentos e limitações e tristezas que o mundo está a viver”.

Regressando à liturgia, no Evangelho os fiéis escutam “o negócio” de Judas a combinar um preço para entregar Jesus”, era “um homem iludido” que tinha acompanhado Jesus durante três anos e “viu fazer tanta coisa”, que se calhar pensou, que entregando Jesus, ele “ia safar-se daquilo e ficariam todos a lucrar”.

“Às vezes, também temos estes gestos que não vemos a consequência, não são prudentes e depois arrependemo-nos do que fazemos, como Judas acabou por se arrepender; Vemos que não foi uma fatalidade Judas entregar Jesus porque há uma grande liberdade mas de facto, às vezes, a nossa maneira de pensar e de agir é tão mesquinha, é tão egoísta que não conseguimos ver para além dos nossos interesses”, acrescentou.

Frei Filipe Rodrigues alerta para a “fragilidade do negócio” e adianta que nas sociedades “há muito por onde pegar”, com “corrupção, consumismo”, as relações que “interessam” porque vão dar “algum lucro”, e, neste contexto, o Evangelho e Judas “personificam muitas vezes” as atitudes onde as pessoas se vendem.

“Nós cristãos temos de ter um espírito de liberdade muito grande para agirmos em nome de Jesus e em nome da igreja de Jesus Cristo”, concluiu, afirmando que “a grande novidade do Evangelho de Jesus Cristo é “recebeste de graça, dai de graça’”.

LS/CB/OC

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