Obra vai ser apresentada esta quinta-feira em Lisboa

Lisboa, 06 jun 2016 (Ecclesia) – Catarina Lopes é gestora de projetos de desenvolvimento na Fundação católica ‘Fé e Cooperação’ (FEC), com a qual fez voluntariado missionário na Guiné-Bissau, no setor da educação, entre 2001 e 2002, e agora publicou “recortes da história” desse país.

A autora explicou à Agência ECCLESIA que a vontade de escrever a nova publicação surgiu num encontro de professores, numa escola no meio do mato, em 2001, quando foi recordado o “conflito de 1998, 11 meses muito delicados, e na mesma sala havia pessoas que colocavam figuras como tiranos e outros como heróis”.

Catarina Lopes assinala que “cerca de 60%” da população guineense “é analfabeta”, por isso, o “objetivo” da publicação é registar a história do país de África porque se “passa só pela oralidade, é muito fácil deturpa-la”.

A autora refere que, numa primeira fase, a recolha de dados para os ‘Recortes da História da Guiné-Bissau’ foi realizada por “colegas através da internet”, algo que “é difícil” porque, geralmente, as notícias “são sempre muito negativas e estão ligadas entre dimensão politica, militar, mortes, assassinos”.

A gestora de projetos de desenvolvimento da FEC observa que desde a independência, em média, o poder político no país lusófono tem a duração de dois anos e meio que “numa estimativa de quatro anos é muito pouco” e a alternância passa por “golpe de estado, uma queda de governo, uma reestruturação”.

Os prefácios de ‘Recortes da História da Guiné-Bissau’ foram escritos pelo jornalista português José Pedro Castanheira e pelo escritor guineense Abdulai Silá, que estão “muito ligados” ao país, com o propósito de mostrar a sua “complexidade, diversidade e riqueza”.

Catarina Lopes adianta também uma particularidade que vê na Guiné-Bissau e está retratada no livro, onde não estão “só guineenses”, com os seus “mais de 28 grupos étnicos”, mas todos que “fazem parte da sua história seja positiva ou negativa”, com referências a Cabo Verde, Portugal, e pessoas de outras nacionalidades como Chile e Mali que “tiveram um papel importantíssimo”.

“Os estrangeiros que se identificaram com o país, afeiçoaram-se e querem contribuir”, sublinha.

A ligação da entrevistada à Guiné-Bissau começou numa experiência marcante de voluntariado de um mês, em 2000, com promessa de “voltar”.

Depois a organização não-governamental para o desenvolvimento católica ‘Fé e Cooperação’ abriu vagas para a Guiné-Bissau e Catarina Lopes despediu-se do emprego da altura para “embarcar” numa viagem que se realizou com atraso a 14 de janeiro de 2001, devido ao assassinato do general Ansumane Mané.

‘Recortes da História da Guiné-Bissau’ foi editado pela FEC que continua na Guiné-Bissau a trabalhar no setor da educação “sempre” na lógica de “formar e potenciar competências” de recursos humanos e de instituições porque continuam “a acreditar”.

A obra vai ser apresentada pela autora e por José Pedro Castanheira pelas 18h30 desta quinta-feira, na FNAC do Colombo.

Na capa está Amílcar Cabral (1924-1973) que “criou a primeira independência, em 1973” e Catarina Lopes dedica o livro aos “Amílcares Cabrais de hoje”.

“Precisamos de pensadores para qualquer país e acredito convictamente que pela educação podemos mudar um país, uma sociedade e nos humanizarmos”, concluiu a autora da obra cujas receitas revertem “integralmente para projetos de cooperação”.

PR/CB

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