Autora Marília Rosado Carrilho destacou a reflexão «para o quotidiano, para a qualidade de vida das pessoas»

Foto DR

Lisboa, 10 abr 2019 (Ecclesia) – A autora do livro ‘O Pensamento Ético-Político de Maria de Lourdes Pintasilgo’ afirmou que a reflexão da antiga primeira-ministra de Portugal está relacionada com “o quotidiano”, a “qualidade de vida das pessoas” e “o viver em comum”.

Para Marília Rosado Carrilho, a investigação sobre o pensamento de Lourdes Pintasilgo permitiu ir “desocultando” o que estava expresso nos “textos que deixou como herança filosófica” e descobrir que a ética “pode e deve ter um contributo efetivo na vida quotidiana, sobretudo na política e nas decisões políticas”.

“Todo este pensamento baseado no humano, no cuidado, na responsabilidade futura, também de um cariz ecológico, tem muito a ver com a filosofia”, afirmou a autora em declarações à Agência ECCLESIA.

Dos inúmeros autores e pensadores presentes nos escritos de Maria de Lourdes Pintasilgo, a investigação baseou-se, sobretudo, em Martin Heidegger e Hans Jonas para encontrar pistas de compreensão do lema ‘Cuidar o futuro’ da engenheira química, que foi também dirigente eclesial e política, e que “ainda é pertinente nos dias de hoje”.

“É curioso que textos de 1980 e 1990, hoje estão atuais, podemos dizer que se adapta perfeitamente para o nosso tempo”, explica Marília Rosado Carrilho.

A investigação realizada para a tese de doutoramento que deu origem ao livro ‘O Pensamento Ético-Político de Maria de Lourdes Pintasilgo – Diálogos com Martin Heidegger e Hans Jonas’ foi centrada na articulação desse pensamento com a Filosofia, mas o “cariz cristão sempre foi uma base fundamental, uma raiz muito forte”.

Jardim Maria de Lourdes Pintasilgo (Lisboa) Foto AE/LFS

“É curioso que a Filosofia vem um pouco mais tarde, a via do pensamento cristão e o cuidar, o afeto, vem de início nas primeiras décadas do pensamento da via cristã. Sobretudo a afetividade que liga os humanos uns aos outros e isso foi também fundamental”, desenvolveu a autora.

O livro foi apresentado esta terça-feira, na Universidade Nova de Lisboa, onde Antónia Coutinho afirmou que o pensamento de Maria de Lourdes Pintasilgo “foi inovador” e de cada vez que se lê o conteúdo da nova publicação encontram-se “coisas que disse nos anos 80, na década de 90, que continuam a ser muito atuais”.

“Têm a particularidade de quase antecipar aquilo que hoje sabemos que é uma visão complexa do real, do sentido forte das teorias da complexidade, das interdependências de tudo, e de como exige um pensamento complexo e soluções que não sejam lineares, que não sejam simplistas”, desenvolveu a docente.

Antónia Coutinho destaca que a política da única mulher que desempenhou o cargo de primeira-ministra em Portugal – chefiou o V Governo Constitucional de julho de 1979 a janeiro de 1980 – assenta numa “conceção ética que projeta para a política enquanto atividade da polis, do bem-comum, do envolvimento das pessoas”.

A professora universitária Antónia Coutinho, que escreveu o prefácio da obra, assinala que Maria de Lourdes Pintasilgo tinha um pensamento “com traços de genialidade” que nasce com trabalho, leitura, da reflexão, da construção de pensamento que “também é um desafio hoje”.

“As soluções não estão encontradas, muito do que ela disse continua: A pobreza continua a níveis assustadores, temos sinais no mundo inteiro que a politica continua a ser um desafio para a qualidade de vida que ainda não atingiu os patamares e todos temos de nos empenhar em encontrar soluções em continuar este trabalho de fazer pensamento, e de encontrar soluções nesta relação ético-politica”, desenvolveu a linguista.

‘O Pensamento Ético-Político de Maria de Lourdes Pintasilgo’ é promovido pela Fundação «Cuidar o Futuro» e a Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres, com o apoio do Gabinete da Secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade, a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género e a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

CB/PR

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