Delegado do Comité Pontifício para as Ciências Históricas quis mostrar no livro «Entre Vaticano e Portugal: questões de governo e de pastoral (séc. XVII a XX)» como o conhecimento histórico afasta o fanatismo e ajuda a compreender o dinamismo da fé

Foto: Arlindo Homem

Lisboa, 03 dez 2022 (Ecclesia) – D. Carlos Azevedo afirmou que a compreensão histórica da relação da Igreja com o mundo e o tempo é condição essencial para se perceber como pode o cristianismo ser relevante na cultura contemporânea.

“As formas futuras do cristianismo emergirão da profunda crise atual e implicam a mudança do papel da fé na sociedade e das manifestações na cultura contemporânea. O esforço por compreender a si mesmo e à história, é uma componente substancial da história humana. Uma configuração da fé humana pede o exercício de compreensão”, valorizou o delegado do Comité Pontifício para as Ciências Históricas, na apresentação esta sexta-feira do seu mais recente livro ‘Entre Vaticano e Portugal: questões de governo e de pastoral (séc. XVII a XX)’.

O bispo português fez notar que contactar com “sucessivas mudanças”, focadas na publicação, convida “a pôr de lado muitos categorias estáticas e a acolher profeticamente a sabedoria de um olhar histórico”.

“Conhecer as mudanças, no itinerário da fé das pessoas, seja nas categorias mentais que orientam as instituições, ajuda a relativizar, a afastar o fanatismo que paralisa numa época, esquecido do dinamismo histórico do cristianismo. As conceções teóricas, rescritas imutáveis, são questionadas pela evolução histórica”, indicou.

D. Carlos Azevedo, deu conta do tempo “livre” que ocupa a “pesquisar no arquivo novos dados para conhecer melhor o passado” e valorizou, “em tempo sinodal, o propósito de um livro de história”.

“O carácter peregrinante da Igreja implica olhar para o caminho percorrido. Se para a Bíblia o lugar das manifestações de Deus é a história, se a bíblia é narrativa histórica nos acontecimentos marcados pelo tempo, a historicidade é fundamental para a vida pastoral”, assumiu.

Com a chancela das Edições Paulinas, a obra foi apresentada por Paulo Fontes, do Centro Estudos de História Religiosa (CEHR) da Universidade Católica Portuguesa, no auditório da igreja do Campo Grande, em Lisboa.

O historiador da UCP valorizou o “material novo, de contacto direto com as fontes”, que possibilitam imaginar “a ação e protagonismo de muitas figuras da época moderna e contemporânea”.

“Para o leitor menos especializado, estamos perante uma descrição viva e acutilante do que eram as preocupações dos agentes, de um protagonismo na sua vivacidade”, mas que, referiu, recorda questões atuais.

“Este livro recorda questões nossas, que antes de nós foram colocadas”, reconheceu.

A publicação vai ser hoje apresentado, às 21h30, na cripta da igreja da Senhora da Conceição, Porto, por D. Pio Alves de Sousa, bispo auxiliar da diocese.

LS

Foto: Arlindo Homem

Igreja: D. Carlos Azevedo nomeado delegado do Comité Pontifício para as Ciências Históricas

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