Vida de jornalista e ativista social é proposta por Joana Rigato como «interpelação» para os crentes

Lisboa, 03 jul 2019 (Ecclesia) – A autobiografia de Dorothy Day, «A longa solidão», editado recentemente pela Lucerna, é um registo que “destabiliza” e lança “pistas para a concretização do cristianismo”.

“(São) Pistas para a concretização do cristianismo. Qualquer pessoa vai sentir-se interpelada para perceber na sua vida, de que forma concreta pode ajudar os outros. O que me chama aqui, o que ela fez na sua vida, eu não tenho desculpas a tentar também”, afirma Joana Rigato, professora de Filosofia que apresentou a publicação durante a recente edição da Feira do Livro.

O livro, escrito na primeira pessoa, “é uma confissão”.

“Ela é muito transparente e sincera. Fala de como Deus se manifestou na sua vida desde cedo, não vindo ela de uma família praticante”, indica Joana Rigato.

Editado pela Lucerna, em mais de 300 páginas, o leitor é convidado a conhecer uma “mulher sensível cativada pela causa da justiça social”, que “sentia um chamamento para ajudar os mais pobres, desde muito cedo na sua vida, aos 15”.

“Já católica, sentia que devia encontrar uma síntese entre a vontade de transformação social e o contexto católico onde se inseria”, traduz a professora de Filosofia que enquadra o contexto de Dorothy Day, início do século XX nos Estados Unidos da América, “numa caridade ocasional mas havia a sensação de que tudo deveria ficar na mesma”.

“Parecia que a Igreja católica usava isto como desculpa para manter as coisas como estavam e ela quis transformar isto no seio da Igreja”.

Fundadora do jornal Chatolic Worker, juntamente com Peter Maurin, e das casas de hospitalidade que acolhiam os indigentes, muitos na altura da Grande depressão nos anos 30, Dorothy acreditava que a vida em comunidade e o “regresso á terra” seriam caminhos de resposta para a vida urbana.

“A vida em comunidade é a resposta para a longa solidão. Somos profundamente solitários com as dificuldades que a vida acarreta, mas aceitar o desafio para a vida em comunidade é a resposta para a ansiedade de comunhão que o ser humano sente”, finaliza Joana Rigato.

PR/LS

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