Presidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios afirmou a necessidade de uma mensagem «maior exigência, maior confiança, maior fidelidade»

Foto Santuário de Fátima

Fátima, 29 ago 2022 (Ecclesia) – Os presidentes da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios (CEVM) começaram o Simpósio do Clero referindo-se ao tema dos abusos sexuais, da proteção das vítimas e da formação, esta tarde, em Fátima.

“Falamos nesta primeira oportunidade, com total transparência para que se reforce a comunhão e não se deixe instalar algumas diferenças que sendo naturais que existam, e é bom que existam, não se transformem em algum tipo de afastamento, de separação, algum tipo de divisão”, explicou o presidente da CEVM, D. António Augusto Azevedo, aos jornalistas, após a sessão de abertura do Simpósio do Clero.

D. José Ornelas, presidente da CEP, reforçou que a Igreja Católica quer “assumir”, “evoluir também” à luz daquilo que se vai conhecendo e que vai-se tornando uma consciência geral, e “contribuir para criar uma cultura nova”.

“Uma cultura na sociedade de respeito e de promoção do mundo infantil e na adolescência, que é onde se está a formar a personalidade das pessoas. Que isso possa decorrer o melhor possível”, desenvolveu aos jornalistas.

Para D. José Ornelas, a forma de tratar este tema dos abusos sexuais, “seja no direito das nações, seja na Igreja, tem vindo a evoluir”, assinalando que não se pode julgar, “com a mentalidade e os conhecimentos de hoje, aquilo que foi o passado”.

O presidente da CEP e bispo de Leiria-Fátima, lembrou que o ordenamento jurídico português “só em 1985 é que considera este crime”, antes era “uma questão de ataque aos bons costumes” e a vítima era posta de lado, quando o que querem é “pôr a vítima no centro”.

“Às vezes, dá a impressão que na Igreja não existe outra realidade que não seja abusos”, alertou.

O presidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios (CEVM), organismo da CEP que promove o 10º Simpósio do Clero, que reúne presbíteros, “secular e regular, de todas as dioceses”, realçou que, depois de “longos meses” que este tema tem abalado o clero em geral e cada uma das dioceses, “era necessário uma mensagem” para os sacerdotes “para ajudar a perceber melhor o que está em causa”, e para toda a Igreja.

“Da minha parte, uma mensagem de que é necessário maior exigência, maior confiança, maior fidelidade. Em segundo lugar, isto não foi à porta fechada, também daqui decorre uma mensagem para o povo de Deus, para que esteja mais ao lado dos seus pastores e os ajude. Reforçar essa comunhão”, disse D. António Augusto Azevedo.

O bispo de Vila Real lembrou que os abusos sexuais e a proteção de menores “não é o tema diretamente do simpósio” – ‘A Identidade relacional e ministério sinodal do presbítero’ – mas o contexto que se vive “reforça a necessidade de aprofundar mais algumas questões”, no encontro, como nos documentos que vão ser debatidos.

“Há um reforço das componentes humanas, psicológicas, de tentar perceber os perfis, as histórias. Toda essa área do psicológico, pessoal, humano, em todas as dimensões, é reforçada. E é reforçado a componente do acompanhamento sobretudo numa fase que nos preocupa bastante, ouvimos isso de todas as dioceses: A fase inicial de entrada na vida sacerdotal, trata-se de um mergulhar na realidade. Nalguns casos é muito reconfortante mas noutros é muito exigente, muito difícil”, explicou D. António Augusto Azevedo.

Os jornalistas também perguntaram sobre críticas à CEP por não ter manifestado apoio ao cardeal-patriarca de Lisboa quanto ao procedimento relativo a um caso de abusos sexuais, denunciado em 1999, noticiado no final de julho.

“A solidariedade da Conferência Episcopal foi manifestada constantemente ao longo deste tempo. Seja a nível individual, seja mais de grupo”, explicou D. José Ornelas, referindo que não quiseram “levar o tema para a praça pública” e “não entrar numa lógica de superdefesa”, querem “esclarecer as coisas e D. Manuel esclareceu-as”.

CB

 

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