Pastoral Penitenciária serve atualmente 14 mil reclusos em 50 estabelecimentos do país

Fátima, 27 abr 2017 (Ecclesia) – A Igreja Católica em Portugal realçou hoje à necessidade de desenvolver mais projetos de “apoio aos reclusos” e sobretudo no que diz respeito à sua “reinserção na sociedade”.

No comunicado final da Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, que esteve reunida em Fátima entre esta segunda e quinta-feira, os bispos portugueses fazem um ponto de situação relativamente “à atuação religiosa, jurídica e social da Igreja” junto das prisões.

Atualmente, a ação da Pastoral Penitenciária envolve “50 estabelecimentos prisionais, onde se encontram cerca de 14 mil pessoas privadas de liberdade”.

Para os membros da CEP, é vital “incentivar” a criação de iniciativas que favoreçam a “reinserção” dos reclusos na vida ativa, no período imediatamente a seguir ao cumprimento da pena.

A reinserção na sociedade é um dos maiores desafios da Justiça Portuguesa, a par da prevenção da reincidência no crime.

Na sua abordagem a este setor, os bispos portugueses atentam também à importância de dotar a Pastoral Penitenciária com cada vez mais recursos, no sentido de cumprir ao máximo a missão para a qual é vocacionada.

Nesse sentido, é sublinhada a necessidade de “mais formação e acompanhamento” para os agentes da Pastoral Penitenciária; e a “valorização do papel prestado pelos colaboradores e voluntários”.

A CEP defende também a “constituição de um serviço específico em todas as dioceses” e o “envolvimento social e eclesial das paróquias, associações e grupos”.

De acordo com o comunicado final da Assembleia Plenária, os bispos portugueses abordaram também durante estes dias a exortação apostólica “A alegria do Amor”, do Papa Francisco, sobretudo no que toca ao capítulo VIII do documento, que alerta para a urgência de “acompanhar, discernir e integrar a fragilidade”, na relação entre a Igreja Católica e as famílias.

O foco esteve nos “critérios” que devem orientar a “aplicação” pastoral do referido capítulo, numa reflexão que vai prosseguir nas próximas jornadas pastorais do episcopado, que terão como tema “Formação da consciência e discernimento”.

No decurso dos trabalhos, os membros da CEP debruçaram-se sobre o documento preparatório do próximo Sínodo dos Bispos, que vai ter lugar em 2018, subordinado ao tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

Em cima da mesa esteve “a metodologia a seguir nas várias instâncias diocesanas de pastoral para responder ao questionário que foi proposto” pela Santa Sé e “cuja síntese deve ser enviada à Secretaria Geral do Sínodo”.

Todos os jovens portugueses estão “convidados a participar” com recurso a uma página de internet que “brevemente” estará disponível em www.sinodogiovani2018.va.

Sobre esta matéria, o presidente da CEP, D. Manuel Clemente, realçou um trabalho que “acontece sobretudo nas dioceses”.

O comunicado adianta ainda a aprovação de uma carta pastoral dedicada à catequese, descrita como um “percurso” que deve levar a um “alegre experiência do encontro com Jesus Cristo, vivido na comunidade eclesial”.

Quanto a outras indicações, a CEP deixa uma saudação especial pela “condecoração, a título póstumo, concedida pelo Presidente da República a D. António Ferreira Gomes, antigo Bispo do Porto”, um homem “cujo testemunho permanece bem vivo na sociedade portuguesa”.

Manifesta depois o “apoio à causa de declaração de Santa Gertrudes de Helfta (1256-1302), mística alemã, como Doutora da Igreja, pela sua atualidade pastoral, sobretudo na renovação do culto ao Sagrado Coração de Jesus como instrumento para a evangelização”.

A Assembleia Plenária da CEP, além de novas nomeações para várias comissões episcopais, procedeu a alterações na estrutura diretiva de diversos outros órgãos pastorais, para os próximos três anos.

Assim, para diretor nacional do Apostolado do Mar foi escolhido Armando Jorge de Oliveira, membro do Stella Maris de Setúbal; e para assistente nacional do Apostolado do Mar foi nomeado o padre Fernando Miguel Mendonça Alves, da Diocese de Setúbal.

O padre Luís Gonzaga Marinho Teixeira da Silva, da Arquidiocese de Braga, assume o cargo de assistente da Conferência Nacional de Apostolado dos Leigos, e o padre Gonçalo Corrêa Mendes Teixeira Diniz, da Diocese de Leiria-Fátima, avança para a missão de assistente nacional do Movimento Católico de Estudantes.

JCP

Partilhar:
Share