Presidente da Cáritas argentina pede coerência ao FMI

O Presidente da Cáritas argentina, D. Jorge Casaretto, pediu um tratamento igual para todos os países e mostrou-se convencido de que o Director do Fundo Monetário Internacional (FMI), Horst Koehler, “não entendeu bem” as reclamações que lhe foram feitas pela Igreja e pelos grupos sociais no país. “Não é correcto colocar-se numa posição de mestre de ética e moral quando alguém tem dentro da própria casa muitas coisas a serem corrigidas”, comentou o prelado, referindo-se ao papel do FMI na crise dos países em desenvolvimento. Horst Koehler, que está a realizar uma visita à Argentina, manteve uma reunião com dirigentes dos organismos sociais considerada “bastante áspera”, como assinalou o Bispo, que participou da mesma como representante da Caritas e da Igreja, no passado dia 23 de Junho. O Director do FMI disse que os argentinos “estavam a procurar lá fora as causas dos seus problemas, quando deveriam procurá-las dentro de si mesmos”, “Nós responder-lhe-emos”, disse D. Casaretto, em declarações às emissoras radiofónicas “Rádio 10” e “Mitre”, de Buenos Aires. “Se nós, argentinos, devemos realizar um caminho de conversão, o FMI também deveria percorrer um caminho de revisão. O Fundo representa, também, países que fazem a guerra e matam inocentes que deveriam rever sua moral e sua ética”, acrescentou. O Presidente da Caritas argentina sublinhou, todavia, que a reunião com Koehler foi positiva, pois “foi a primeira vez em que as organizações sociais deste país puderam apresentar as suas reivindicações.” Segundo dados oficiais, a pobreza afecta mais da metade do 37 milhões de argentinos, em consequência da crise económica que se arrasta há já 4 anos, período no qual o PIB (produto interno bruto) registrou uma queda de 20%.

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