Fátima, 30 set 2020 (Ecclesia) – O Secretariado Nacional da Liturgia, da Igreja Católica em Portugal, publicou o livro ‘Os diáconos na Igreja – Fontes e documentos’ dedicado a quem assume uma função que “não é de presidência, mas de serviço”.

“A experiência secular da Igreja testemunha que a Ordem do diaconado não deve ser considerada como um puro e simples grau temporário de acesso ao sacerdócio, mas como próprio e permanente grau do sacramento da Ordem, o chamado diaconado permanente, que constitui um importante enriquecimento para a missão da Igreja”, explica o presidente da Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade, D. José Cordeiro.

Na apresentação do livro ‘Os diáconos na Igreja – Fontes e documentos’, o bispo de Bragança-Miranda assinala que a função dos diáconos “não é de presidência, mas de serviço”, não é uma “configuração a Cristo Pastor no sacerdócio ministerial”.

D. José Cordeiro explica que a visibilidade do ministério dos diáconos aparece sobretudo “na celebração da Eucaristia”, onde proclama o Evangelho e ajuda o bispo e os presbíteros “na distribuição da Eucaristia, especialmente levantando o cálice”, e pode ajudar “toda a comunidade a passar da liturgia à vida”, ocupando-se dos mais pobres e necessitados.

Nos oito capítulos de ‘Os diáconos na Igreja’ estão publicadas fontes bíblicas, patrísticas e medievais, informações dos concílios da Igreja do século IV ao século XV, dos concílios de Trento e do Vaticano II, o “magistério pontifício”, documentos da Sé Apostólica e da Conferência Episcopal Portuguesa e os livros litúrgicos.

A figura do diácono permanente, o primeiro grau da ordem do ministério ordenado, surgiu nos primórdios do cristianismo como uma vocação de serviço à comunidade e viu o seu papel ser reforçado com o Concílio Vaticano II.

A restauração do diaconado permanente na Igreja Latina, segundo decisão tomada no Concílio Vaticano II, foi promulgada com a carta apostólica ‘Sacrum Diaconatus Ordinem’ (18 de junho de 1967), um Motu Proprio do Papa Paulo VI.

A esta missão podem aceder homens casados (depois de terem completado 35 anos de idade), o que não acontece com o sacerdócio.

A 8 de dezembro de 1984 foram ordenados dos primeiros quatro diáconos permanentes em Portugal, na então jovem Diocese de Setúbal, por iniciativa do seu primeiro bispo, D. Manuel Martins.

“A restauração do diaconado como condição permanente de vida, conferido também a homens casados, é um bem para a Igreja, tanto para os presbíteros que voltam a ser verdadeiramente aqueles que presidem à comunidade, permanecendo «assíduos à oração e ao ministério da palavra» (At 6,4), como para toda a comunidade que vê realizar-se ao seu serviço, os diversos graus do ministério”, escreve D. José Cordeiro.

Sobre o novo livro ‘Os diáconos na Igreja’, o presidente da Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade explica que a edição italiana do ‘Nuovo Enchiridion sul Diaconato. Le fonti e i documenti ufficiali della Chiesa’ inspirou o Secretariado Nacional de Liturgia a traduzir algumas partes e a completar a documentação.

CB

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