Eugénio Fonseca assinala aposta em grupos paroquiais para animar e praticar a caridade

Foto: Cáritas Portuguesa

Fátima, 02 dez 2019 (Ecclesia) – O presidente da Cáritas Portuguesa afirmou que a criação de grupos paroquiais para “animarem e praticarem a caridade é o grande objetivo” no conselho geral onde falaram do novo ‘Sistema de Prevenção e Proteção de crianças, jovens e públicos vulneráveis’

“A Cáritas trabalha com muitas crianças nos seus infantários, atl’s, nos centros residenciais, mas queremos também atingir todos os públicos vulneráveis, até os próprios desempregados que, às vezes, não são bem acolhidos em instituições onde vão procurar o respeito por um direito que têm que é o trabalho”, contextualizou Eugénio Fonseca.

Em declarações à Agência ECCLESIA, à margem da reunião, o presidente da Cáritas Portuguesa explicou que o ‘sistema de prevenção e proteção de menores e pessoas em fragilidade’ está a ser elaborado com orientações da Cáritas Internacionalis e adianta que querem que “cada membro vigie estas situações”.

O responsável assinala que “não estão a criar orientações para focalizar no que tem dado mais evidencia, os abusos contra as crianças que são horrendos,” mas a visão da instituição quer proteger também as pessoas com deficiência, os idosos, que podem “ter condicionantes de medo interior e são abusadas na sua integridade, psicologicamente e fisicamente”.

Eugénio Fonseca destacou também que a “criação” de grupos paroquiais para “animarem e praticarem a caridade é o grande objetivo” e estão a “fazer tudo” o que está ao alcance, como as Cáritas Diocesanas, mas “é preciso que haja recetividade das comunidades cristãs e daqueles que as animam”.

O presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana referiu que partilhou uma “palavra de desafio” com a Cáritas Portuguesa e, “particularmente”, com as Cáritas Diocesanas para que “sejam mais ativas na sensibilização das comunidades”.

“Precisamos que as Cáritas cumpram também a missão de suscitar solidariedade de forma mais organizada nas nossas comunidades cristãs”, acrescentou D. José Traquina que preside ao encontro que reuniu 19 representantes diocesanos, em Fátima

O bispo da Diocese de Santarém insistiu também que a instituição caritativa da Igreja Católica dê a conhecer o que “faz com aquilo que lhe dão, promove”, que “façam eco para a comunidade que isso motiva” e realçou não quer prestar uma ajuda ao pobre para o manter nessa situação mas “cooperar e ajudar no desenvolvimento das pessoas”.

“Queremos cooperar no desenvolvimento da sociedade, não queremos ser quotados com essa ideia de promover uma caridade para manter o pobre na nossa dependência, não é essa a missão da Cáritas”, afirmou.

Do programa do Conselho Geral constou a apresentação de projetos, votação do programa de atividades, calendário e orçamento para 2020, a implementação do software de Gestão da Ação Social de Proximidade (SGASP II).

O presidente da Cáritas Diocesana do Funchal explicou que, neste momento, têm “uma preocupação” com o regresso dos venezuelanos à Madeira e são “pessoas que precisam de apoio”, que, às vezes, não é apoio material mas no sentido de orientá-los para determinados serviços”.

“É preciso arranjar meios, estamos a trabalhar nessa linha e também nos bens de primeira necessidade”, acrescentou Duarte Pacheco.

Segundo o responsável, as pessoas são solicitas às iniciativas da Cáritas e deu como exemplo a “campanha de recolha de alimentos, há duas semanas”: “Angariamos alguns produtos em termos de número fora do normal, isso prova um pouco a recetividade da população”.

Já Elicídio Bilé, responsável da Cáritas Diocesana de Portalegre-Castelo Branco, alertou para o “envelhecimento da população” e “um desinvestimento até nas atividades produtivas” que possam fixar os jovens à terra, captar outros e “captar investimento para que seja geradora de emprego”.

A instituição da Igreja Católica, organiza, por exemplo, “um voluntariado de proximidade” em que tentam “estar juntos dessas pessoas, a ajudá-las não só nesses momentos de solidão mas também trazê-las à vida, procurar formas de irem por exemplo ao supermercado, a dificuldade que têm de ir ao médico e acompanhá-las e irem ao centro de saúde e por ai foram, há nesta região do interior e do país uma atrofia no seu próprio desenvolvimento.

CB/OC

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No Conselho Geral foi apresentado o Plano Institucional de Resposta a Emergências e Calamidades “para construir um modelo sólido, envolvente e participado”, “solidificar a intervenção” da instituição e “melhor responder às necessidades das populações” e, simbolicamente, foi entregue um colete de visibilidade que identifica a Cáritas no terreno.

“Associada à emergência tem que estar modelos de organização, modelos de participação, e mesmo exercidos por voluntários elas têm de ser feitas com eficácia e eficiência, precisamente porque só há uma forma de intervir em emergência que é bem; ”, disse o presidente do Conselho Diretivo do Centro de Estudos e Intervenção em Proteção Civil, Duarte Caldeira, à Agência ECCLESIA.

 

 

 

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