«Aqui em Braga temos T0 e T1 a chegarem aos 750 euros», realça o padre Eduardo Duque 

Foto: Centro Pastoral Universitário da Arquidiocese de Braga, Diário do Minho

Braga, 25 out 2018 (Ecclesia) – O diretor do Serviço Nacional da Pastoral do Ensino Superior diz que “alguma coisa tem que ser feita” para controlar a “escalada” de preços no mercado do arrendamento, que afeta muitos alunos deslocados no país.

Em entrevista hoje à Agência ECCLESIA, o padre Eduardo Duque realça que “são muitos os alunos que têm manifestado as suas preocupações, porque os preços de casas e quartos estão exorbitantes”.

“Aqui em Braga os valores mais que duplicaram este ano, temos T0 e T1 a chegarem aos 750 euros. Ainda existem bastantes estudantes deslocados, e se a situação continuar assim, eles não podem estudar”, frisa aquele responsável, que sublinha que esta se trata de uma” preocupação generalizada” e partilhada “por todos os colegas que trabalham na Pastoral do Ensino Superior”.

Para o padre Eduardo Duque, é fundamental que se criem condições para “que nenhum aluno deixe de estudar por não ter condições para pagar a sua habitação”.

“Porque aquilo que me vão dizendo é que isso acontece. São vários os professores que me dizem que alguns estudantes que se matricularam e deixaram de estudar, o fizeram possivelmente por razões económicas. Isto está muito difícil”, salienta o sacerdote.

Nos próximos dias, o Serviço Nacional da Pastoral do Ensino Superior vai emitir um comunicado oficial relacionado com esta matéria, para “manifestar preocupação e solidariedade para com os estudantes”, neste contexto.

Mas também para realçar que “um país não pode falar em formação para todos” sem “criar as condições devidas” para que isso aconteça.

E uma das condições essenciais é que “cada aluno possa cumprir os estudos nas universidades desejadas”.

Sobre o contributo da Igreja Católica, nomeadamente ao nível da aposta no desenvolvimento de espaços habitacionais próprios para os estudantes, por exemplo através da reconfiguração de algumas estruturas, o padre Eduardo Duque realça que isso já tem vindo a acontecer.

“Aqui em Braga, a arquidiocese não se tem poupado a esforços para que tal aconteça, ou seja, aquilo que tem sido feito é analisar os melhores locais para acolher estudantes”, realçou.

Neste sentido, a Arquidiocese de Braga já reaproveitou uma parte do antigo hospital psiquiátrico para criar uma residência para estudantes, que acolhe atualmente 35 alunos “com preços muito acessíveis”.

“Temos também estudantes que têm sido albergados no Espaço Vita, que não foi desenhado especificamente para isso mas como a procura é tanta e não há oferta na cidade, a arquidiocese tem procurado dar outras respostas”, referiu o padre Eduardo Duque.

No próximo dia 31 de outubro, a Pastoral Universitária de Braga vai promover a partir das 18h00 a abertura oficial do Centro Pastoral Universitário, estrutura que começou a ganhar forma há três anos e que, a par da referida residência para estudantes, oferece vários serviços à comunidade académica local.

Além de espaço de acolhimento, trata-se de um projeto de convívio e de estudo, de reflexão e oração, e também de aprofundamento da vivência cristã, na celebração da Eucaristia, na preparação dos sacramentos, no debate de tema de interesse para a sociedade atual.

JCP

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