D. Rino Passigato recebeu hoje a Medalha de São Jorge pelo seu «extraordinário desempenho« na ligação da Igreja Católica a este setor

Foto: D. Rino Passigato recebeu a Cruz de São Jorge das mãos do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, almirante António Silva Ribeiro, EMGFA

Lisboa, 04 jun 2019 (Ecclesia) – O núncio apostólico (representante diplomático) da Santa Sé em Portugal foi hoje condecorado pelo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas com a Cruz de São Jorge, pelo seu “extraordinário desempenho” na ligação da Igreja Católica com este setor.

Em entrevista à Agência ECCESIA e à Renascença, o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, almirante António Silva Ribeiro, lembrou o contributo “absolutamente decisivo” que D. Rino Passigato teve “na estruturação do Ordinariato Castrense”, mais conhecido como a Diocese das Forças Armadas e de Segurança.

Um organismo que tem como missão auxiliar espiritualmente as Forças Armadas Portuguesas nos seus mais variados ramos – Exército, Marinha, Força Aérea, Guarda Nacional Republicana e Polícia de Segurança Pública.

“D. Rino Passigato teve um papel muito interventivo na fixação de um clero próprio, na nomeação dos dois bispos (que assumiram o Ordinariato) D. Manuel Linda e agora D. Rui Valério, mas além disso a sua intervenção foi muito mais abrangente”, frisou o almirante António Silva Ribeiro.

Aquele responsável aproveitou o momento para reconhecer a importância do trabalho que a Igreja Católica, por intermédio da Diocese das Forças Armadas e de Segurança, dos seus responsáveis e capelães, desempenha junto de todos os militares, e que vai “muito mais além do que as celebrações litúrgicas”.

“São um exemplo em termos das atitudes éticas e morais, estão sempre disponíveis para apoiar a família militar. E esta postura dos senhores capelães é muito importante nas Forças Armadas, sobretudo num tempo como o que vivemos, em que os nossos militares estão sujeitos a desafios extraordinários”, sublinhou o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas.

D. Rino Passigato, que se prepara para deixar no início do mês de julho as funções de núncio apostólico (representante diplomático) da Santa Sé em Portugal, foi condecorado com o grau mais alto da Medalha de São Jorge, de 1.º classe.

Trata-se de uma “medalha privativa do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas” que “se destina a galardoar militares e civis, nacionais ou estrangeiros, que no âmbito técnico-profissional revelem elevada competência, extraordinário desempenho e relevantes qualidades pessoais, contribuindo significativamente para a eficiência, prestígio e cumprimento da missão do Estado-Maior General”.

Na hora de receber o galardão, D. Rino Passigato deixou um agradecimento especial a todos quantos trabalham nas Forças Armadas Portuguesas, e enalteceu a competência e o empenho que esses homens e mulheres colocaram também durante as visitas papais que aconteceram no país, durante os cerca de 10 anos em que aqui serviu como núncio apostólico da Santa Sé.

“A visita de Bento XVI em maio de 2010, que foi verdadeiramente um grande êxito, e que o próprio Papa emérito recorda com muita gratidão, e a última visita, mais breve, uma peregrinação, que o Papa Francisco quis faz na ocasião do Centenário das Aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria em Fátima”, recordou.

Sobre a distinção da Cruz de São Jorge, D. Rino Passigato referiu que “vai usá-la com muito orgulho”, também como recordação da sua passagem por Portugal e da “proximidade” que, enquanto “representante da Santa Sé”, sempre teve com “todas as hierarquias das Forças Armadas e de Segurança”.

Quanto ao contributo prestado para a relação entre as Forças Armadas e de Segurança e a Igreja Católica, o núncio apostólico recordou todo o caminho que envolveu a nomeação de um bispo para o Ordinariato Castrense, e que foi concretizado no meio de algumas resistências.

Foto: Cerimónia em honra do núncio apostólico contou com a presença do cardeal-patriarca de Lisboa, EMGFA

“Mais do que alguns políticos eram às vezes alguns conselheiros legais que não entendiam como a figura do bispo castrense se enquadrava com o novo ordenamento de um capelão-chefe ou de um capelão-maior”, lembra D. Rino Passigato, que vincou a mensagem que sempre manifestou nesses momentos.

“Numa diocese não pode faltar um bispo, não há Igreja sem bispo. Esta foi a minha convicção, ponto de partida da ação da Santa Sé para querer manter e fortalecer o Ordinariato Castrense em Portugal e assim conseguimos”, explicitou.

Em 2013 a Santa Sé nomeou como primeiro bispo das Forças Armadas e de Segurança em Portugal D. Manuel Linda, e mais recentemente, em dezembro de 2018, o cargo foi assumido por D. Rui Valério.

“Cinco meses passaram desde a nomeação de D. Manuel Linda, e o reconhecimento da parte das instituições, mas funcionou. E para demonstrar que funcionou agora, com a nomeação de D. Rui Valério, nem esperaram que fosse ordenado bispo para o reconhecer imediatamente. Foi uma grande alegria para mim”, completou D. Rino Passigato.

A designação ‘Ordinariato Castrense’ surgiu em Portugal em 1986, com a Constituição Apostólica ‘Spirituali Militum Curae’; entre 1966 e 2000 este setor pastoral estava a cargo do patriarca de Lisboa.

Através do decreto n.º 387/87, de 17 de março de 2001, João Paulo II decidiu anuir ao pedido formulado pela Conferência Episcopal Portuguesa, separando o múnus do Ordinariato Castrense de Portugal do de patriarca de Lisboa.

O Serviço de Assistência Religiosa das Forças Armadas e das Forças de Segurança foi regulamentado em 2009, na sequência da Concordata assinada entre Portugal e a Santa Sé em 2004, sendo constituído pela Capelania Mor e pelos centros de assistência religiosa da Armada, do Exército, da Força Aérea, da Guarda Nacional Republicana e da Polícia de Segurança Pública.

A Capelania Mor é um órgão de natureza inter-religiosa integrado no Serviço de Assistência Religiosa das Forças Armadas e das Forças de Segurança, que assegura” o regular funcionamento da assistência” e compreende na sua composição um capelão-chefe, por cada confissão professada, que coordena a respetiva assistência religiosa.

JCP

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