Missas online sublinharam celebrações do Dia Mundial das Comunicações Sociais e da Ascensão de Jesus

Foto: Bruno Rodrigues/ Diocese de Bragança-Miranda

Lisboa, 24 mai 2020 (Ecclesia) – As comunidades católicas celebraram o 11.º domingo consecutivo sem Missas comunitárias, devido ao confinamento provocado pela pandemia de Covid-19, com apelos dos bispos diocesanos para preparar o regresso das celebrações com fiéis, nos próximos dias 30 e 31.

“Os bispos tomaram estas medidas de uma maneira absolutamente livre e responsável”, com o apoio das autoridades de saúde, explicou em Lisboa o cardeal-patriarca, D. Manuel Clemente, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).

As celebrações dominicais abordaram a festa litúrgica da Ascensão de Jesus, o 54.º Dia Mundial das Comunicações Sociais (DMCS) e o final da semana ‘Laudato Si’, dedicada à encíclica social e ecológica do Papa, assinada há cinco anos.

Algarve

D. Manuel Quintas convidou a superar a dimensão “virtual” da vivência da fé, desafiando todos a participar presencialmente na Eucaristia, assim que possível, “dentro dos condicionalismos que há”.

“É um dever que nos incumbe”, referiu o bispo do Algarve, agradecendo a todos os que tornaram possível as transmissões online, desde março.

A suspensão das Missas comunitárias, recordou, levou ao adiamento de celebrações da Primeira Comunhão e do Crisma, de matrimónios ou a celebrar funerais “de maneira quase desumana”.

O responsável católico assinala que exigências de higiene e distanciamento não devem “desanimar” os fiéis, mas levá-los amas tomar consciência de que este é um contributo na contenção da propagação do vírus.

O bispo do Algarve destacou a festa das Ascensão de Jesus, pedindo uma “Igreja missionária a tempo inteiro”, e o 54.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, evocando os profissionais que trabalham neste campo, “num mundo completo, exigente, mas também imprescindível”.

Angra

D. João Lavrador presidiu na Sé de Angra à primeira Missa dominical depois do confinamento de mais de dois meses no arquipélago – que se mantém ainda em duas ilhas.

O prelado alertou para o perigo do “desvio de uma boa comunicação” neste tempo de crise em que muitos dos órgãos de informação estão a lutar pela sobrevivência.

“A comunicação social tem de ser inteiramente livre para cumprir o seu desígnio”, sublinhou o presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais.

Numa intervenção divulgada pelo portal diocesano, ‘Igreja Açores’, D. João Lavrador sublinhou a “exigência desta hora” para que a comunicação seja feita em nome da justiça e da esperança.

“Num contexto tão difícil quanto o que vivemos, precisamos de sabedoria para patrocinar e criar narrações belas, verdadeiras e boas”, concluiu.

Aveiro

O bispo de Aveiro assinalou na Missa a que presidiu na Sé diocesano o 54.º DMCS, agradecendo aos profissionais dos media que vivem “ao serviço da humanidade”.

“Qual é a grande história da nossa vida, a história narrada, cada dia, em nós que pode ser uma história de vida também para os outros?”, questionou D. António Moiteiro.

“Os meios de comunicação social têm sentido quando comunicam para os outros e comunicam as boas histórias”, acrescentou.

O prelado pediu “uma consciência eclesial, missionária”, para que a Igreja se “volte para fora”.

Braga

Em Braga, o arcebispo primaz convidou a promover “notícias e histórias belas, verdadeiras”, em vez de um “sensacionalismo” destruidor.

D. Jorge Ortiga saudou os heróis que se colocam na “primeira fila”, no combate à pandemia, e os “heróis incompreendidos” da comunicação, por “colocar em público o que muitos não querem conhecer”.

O arcebispo de Braga destacou as dificuldades específicas da imprensa regional, pedindo “maior reconhecimento” por parte das autoridades políticos.

O responsável assinalou ainda o 5.º aniversário da ‘Laudato Si’, questionando o modo como cada um “trata a natureza”.

Bragança-Miranda

Na Catedral de Bragança, D. José Cordeiro antecipou o momento em que os católicos vão poder regressar “à casa da família das famílias, que é a Igreja”, a partir da vigília de Pentecostes, no próximo sábado.

“Ainda bem que podemos recomeçar em tempo de Páscoa”, o “coração do tempo litúrgico”, assinalou.

O bispo de Bragança-Miranda convidou “todos aqueles que puderem” a participar na Missa, sublinhando que “a relação, o encontro, acontece à volta do altar”.

Para o responsável católico, a pandemia representa um tempo de “responsabilidade” comum, em que todos são chamados a “convergir para o essencial da vida”.

Coimbra

D. Virgílio Antunes falou da passagem de uma fase de maior recolhimento, sem celebrações comunitárias, para uma fase de abertura e regresso do culto público.

“Que esta passagem seja motivo de uma grande ação de graças”, apelou.

O bispo de Coimbra pediu que no próximo sábado e domingo todos procurem “ir ao encontro da comunidade cristã”, tendo em conta todas as precauções para evitar novos contágios.

“Que não sejam celebrações simplesmente sociais, ou festivas, de âmbito cultural, enraizadas nas nossas tradições”, mas que os sacramentos sejam “sinal da fé”, com todas as suas implicações, referiu.

Évora

D. Francisco Senra Coelho convocou a Arquidiocese de Évora para o regresso das celebrações comunitárias na vigília do Pentecostes, a 30 de maio, e na solenidade do próximo domingo.

“Que fique só em casa quem corre risco e precisa de ser protegido”, precisou.

O arcebispo destacou a necessidade de “passar a palavra”, com o convite para o regresso das celebrações da Eucaristia em comunidade, seguindo as orientações recebidas “com toda a colaboração”, para que todos possam “preservar o grande dom da saúde”.

No 54.º DMCS, o responsável católico saudou o trabalho “precioso” de quem trabalha nos media, pedindo que transmitam “histórias de vida humana marcadas pela grandeza”, os “testemunhos de grandeza e eloquência que merecem ser notícia”.

À imprensa de inspiração cristã, D. Francisco Senra Coelho apontou o desígnio de ser “a voz humanizadora” na defesa dos “últimos da sociedade”.

O arcebispo assinalou ainda o 5.º aniversário da ‘Laudato Si’, para afirmar que “a terra é a nossa constante vivência e convivência” apelando à defesa da “mãe terra”, como casa comum de todos.

Funchal

No Funchal, diocese que já vive o regresso das celebrações comunitárias, D. Nuno Brás destacou o 54.º DMCS, que apresentou como “uma oportunidade para rezar por quantos trabalham neste mundo da Comunicação Social, pedindo ao Senhor que os ajude a comunicar a verdade”.

A Eucaristia contou com a presença do diretor do Centro Regional da Madeira da RTP, canal que transmitiu a celebração, a quem o bispo do Funchal agradeceu “o esforço e o serviço da na transmissão das celebrações ao longo destas semanas de confinamento”.

Leiria-Fátima

O cardeal D. António Marto desafiou as comunidades católicas de Leiria-Fátima a fazer da vida de todos “histórias boas e belas”, citando a mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações Sociais.

“Precisamos de respirar histórias verdadeiras, belas e boas histórias”, como aconteceu no tempo da pandemia com quem se colocou em risco para cuidar dos outros, sustentou.

O vice-presidente da CEP destacou a “situação excecional” que se viveu nas última semanas, por causa da pandemia e dos riscos de contágio, apontando à nova fase, em que é possível celebrar a Eucaristia em assembleia, nas igrejas.

“Que saiamos deste momento de crise com uma fé mais viva, mais forte”, desejou.

Para D. António Marto, é preciso “readquirir a familiaridade” do encontro.

“Não podemos transformar a nossa fé em fé virtual”, advertiu, exigindo uma “presença pessoal e física”, em comunidade.

Lisboa

Numa celebração transmitida pelo Canal 1, D. Manuel Clemente agradeceu o “serviço público” prestado pela RTP e outros canais, durante a suspensão das Missas comunitárias.

“Foi uma ocasião de reencontro, de muitos de nós”, destacou o cardeal-patriarca de Lisboa.

O presidente da CEP lembrou as “medidas que são necessárias”, como o distanciamento, a higiene ou o uso da máscara, semelhantes às de outras conferências episcopais

“Que tudo corra da melhor maneira, a pouco a pouco, com a maior prudência. Nenhum de nós quer que isto volte para trás”, referiu.

Na festa da Ascensão, D. Manuel Clemente desejou que “este mundo ascenda também e seja cada vez mais o mundo de Deus”.

“Ascendamos todos”, olhando para os outros “de uma maneira mais humana e humanizadora”, acrescentou.

No 5.º aniversário da ‘Laudato Si’, o cardeal-patriarca convidou a “levar essa encíclica a sério, para uma ecologia integral”.

Portalegre-Castelo Branco

470 anos depois da elevação de Portalegre a cidade, D. Antonino Dias presidiu à Missa com transmissão através da rede Facebook, pela primeira vez, aludindo a um “tempo de grande sofrimento” que deve ser uma “grande oportunidade para abrir janelas e rasgar portas em direção ao futuro”.

O responsável pela Diocese de Portalegre-Castelo Branco convidou a valorizar a saúde, a proximidade, a beleza da natureza, bem como a “reforçar a importância da família”.

No 54.º DMCS, D. Antonino Dias desejou que todos saibam “construir” a sua história e recusar as que são “tecidas no tear da fantasia e da mentira”.

Apontando ao futuro, o prelado defende que “a vida tem de continuar, com muita esperança e confiança”.

Santarém

D. José Traquina assinalou o 54.º DMCS, sublinhando que “a vida contada transforma-se em história”.

O bispo de Santarém destacou ainda o início do ano especial dedicado à Laudato Si, convidando à leitura da encíclica, recolhendo a “espiritualidade” da ecologia integral proposta pelo Papa e promovendo uma “educação pessoal”.

“Precisamos de viver de forma adequada à saúde de todos, à justiça de todos, a construir um mundo que tenha futuro”, apontou.

Setúbal

D. José Ornelas referiu-se aos dois meses em que os católicos estiveram privados de celebrações comunitárias.

“Não estivemos sem a presença de Deus, mas, fomos – e ainda bem – uma Igreja doméstica, nas nossas famílias e nas redes digitais. Do ponto de vista das nossas comunidades, estivemos contidos, por força da pandemia e dispersos, celebrando mais privadamente a nossa fé”, referiu o bispo de Setúbal, numa intervenção enviada à Agência ECCLESIA.

O regresso das cerimónias com a presença de fiéis vão regressar com “precauções de saúde”, para que não seja necessário volta a “medidas mais restritivas”.

“Sejamos atentos e responsáveis uns pelos outros. Durante a pandemia, fomos aprendendo que o bem-estar de todos depende do comportamento responsável de cada um de nós. Nas nossas celebrações, cumpramos as normas que estão estabelecidas”, apelou o bispo sadino.

Vila Real

Na Sé de Vila Real, D. António Augusto assinalou o próximo regresso das celebrações comunitárias, “ainda com muitas restrições”.

“É uma boa notícia podermos voltar a ter pessoas nas nossas igrejas”, observou o responsável diocesano.

Para o bispo, é necessário que os católicos saibam ir ao encontro “do mundo, das pessoas concretas”, para que todos “descubram o verdadeiro rosto de Deus”.

Aludindo à pandemia, o prelado disse que há desafios e exigências para a comunidade católica, por um futuro “com mais fé e com mais esperança”, em particular num país e numa Europa “perigosamente sem memória”.

No 54.º DMCS, o bispo de Vila Real destacou a “importância decisiva” dos media “para uma sociedade mais livre e mais aberta”.

Viseu

Já em Viseu, D. António Luciano saudou o regresso das celebrações comunitárias, “com alegria, com liberdade e responsabilidade”.

“É um caminho de fé e de esperança, que todos juntos vamos fazer”, apontou.

Aos católicos, acrescentou, cabe cumprir as orientações dos seus bispos e colaborar com as autoridades sanitárias, para voltar à “normalidade da celebração da fé”.

O bispo de Viseu recordou o trabalho feito pelos meios de comunicação social, ao longo dos tempos de pandemia, e saudou a atribuição do prémio de jornalismo Dom Manuel Falcão ao semanário diocesano, ‘Jornal da Beira’.

D. António Luciano destacou ainda o dinamismo e inovação da presença católica no mundo digital, ajudando a “superar o isolamento”, através da partilha e da comunhão.

OC

CEP: «Possamos ter todos os cuidados de higiene, saúde e segurança» no retomar das celebrações comunitárias – Padre Manuel Barbosa (c/vídeo)

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