André Costa Jorge elogia liderança do Papa, assinalando 107.º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado

Foto: RR/Joana Gonçalves

Lisboa, 26 set 2021 (Ecclesia) – O coordenador da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) disse à Agência ECCLESIA e Renascença que as instituições católicas têm sido fundamentais no acolhimento em Portugal.

“O trabalho das organizações no terreno – sejam as paróquias, congregações ou outro tipo de organizações da Igreja – tem sido fundamental para os números que nos orgulhamos de ter em Portugal, ao nível dos países que mais acolhe na Europa e no mundo. Isso deve-se muito ao empenho no terreno e à criação de capacidade de acolhimento efetiva”, assinalou André Costa Jorge, na entrevista conjunta que é emitida e publicada semanalmente ao domingo.

No 107.º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que a Igreja Católica celebra hoje, o também diretor do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS)-Portugal critica a política migratória europeia, em particular a falta de solidariedade entre países.

“A União Europeia tem estado sempre um pouco a reboque dos acontecimentos, tem sido mais reativa do que ativa”, aponta o responsável, para quem o Pacto Europeu para as Migrações e Asilo tem “muitas limitações”.

“Não podemos estar satisfeitos com uma política migratória apenas assente na ideia de contenção”, acrescenta.

André Costa Jorge destaca que, desde que foi criada, em 2015, a Plataforma de Apoio aos Refugiados já acolheu 166 famílias, num total de cerca de 800 pessoas.

“Estamos numa fase em que estamos a proceder a pequenas alterações ao modelo de acolhimento, em articulação com os organismos estatais que têm essa responsabilidade”, aponta.

O coordenador da PAR admite que as pessoas têm uma ideia “muito genérica” da Europa, quando chegam ao continente, considerando “importante que o trabalho que é feito pelas instituições, por quem está no terreno, possa de alguma forma ajudar as pessoas a moldarem as suas expectativas e seu projeto de vida”.

A integração é uma palavra muito interessante e bonita, mas é um longo caminho. Os dados indicam, por exemplo, que países como a Alemanha preveem que as pessoas só ao final de oito anos é que estão integradas no país”.

O diretor do JRS-Portugal identifica a habitação é um dos principais obstáculos no processo de integração, e apela à mobilização de mais instituições no esforço nacional de acolhimento.

“A habitação é um problema transversal para toda a sociedade portuguesa. Para estas pessoas que têm de começar do zero, têm de passar várias provas de superação e de resiliência, a habitação é um grande desafio”, reforça.

O entrevistado elogia o papel do Papa Francisco na defesa dos migrantes, com gestos e palavras que devem sensibilizar quem tem responsabilidades políticas nesta matéria.

“Sentimo-nos altamente confortados sabendo que o Papa não só está do nosso lado, ou do lado daqueles que nós defendemos, protegemos e acompanhamos, mas lidera a missão com a sua palavra”, aponta André Costa Jorge.

Na sua mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, o Papa Francisco alerta para o risco de nacionalismos “agressivos” e de sociedades mais fechadas, no pós-pandemia.

“Estamos todos no mesmo barco e somos chamados a empenhar-nos para que não existam mais muros que nos separam, nem existam mais os outros, mas só um nós, do tamanho da humanidade inteira”, escreve.

André Costa Jorge destaca a importância desta mensagem, que inspira a celebração desta jornada nas comunidades católicas.

“O objetivo da humanidade, e o papel da Igreja, é a criação de um ‘Nós’ cada vez maior. Independentemente de o outro ter outra fé, ou um outro quadro cultural, o papel dos cristãos é participar no acolhimento e na hospitalidade e no encontro entre pessoas”, conclui.

Ângela Roque (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)

 

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