Jornadas de formação juntam agentes da Pastoral Juvenil, Ensino Superior, da Pastoral Vocacional e Familiar

Foto_ Agência ECCLESIA/CB

Leiria, 12 set 2020 (Ecclesia) – A Igreja Católica promove até uma domingo uma sessão de formação, no Seminário de Leiria, que procura alternativas à chamada “pastoral de eventos”, colocando vários setores a “fazer caminho”, juntos.

“Nós vamos em frente, esta situação de pandemia é a situação que somos chamados a viver agora e é nela que temos de anunciar o Evangelho, acompanhar os jovens. Não é tempo de nós lamentarmos”, referiu à Agência ECCLESIA D. Joaquim Mendes, presidente da Comissão Episcopal do Laicado e Família (CELF).

O encontro, iniciado esta quinta-feira, congrega agentes da Pastoral Juvenil e do Ensino Superior, da Pastoral Vocacional e Familiar.

O presidente da CELF destaca que a iniciativa dá continuidade ao caminho iniciado com o Sínodo que o Papa dedicou aos jovens, cuja assembleia decorreu no Vaticano, em 2018.

O documento final deste Sínodo recorda a necessidade de “passar de uma pastoral por setores para uma pastoral de processos”, juntos.

Para D. Joaquim Mendes, é necessário valorizar a “interligação” entre os vários setores de pastoral, da reflexão à ação.

Sobre o tema escolhido para esta formação, a “planificação pastoral”, o bispo auxiliar de Lisboa destaca que esta planificação “deve escutar a comunidade” e ser “envolvente”, exigindo acompanhamento e avaliação “sistemática, contínua”.

“É um modelo, muito mais comunitário, muito mais participativo”, precisa.

O responsável católico aponta ainda ao desafio da edição da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) que a capital portuguesa vai receber no verão de 2023, uma grande celebração que exige “uma conversão pastoral, uma conversão missionária, que pode revitalizar a fé de cada pessoa e das comunidades”.

A formação é orientada pelo padre Michal Vojtás, salesiano.

“Existem vários modelos de pastoral e cada um deles incarna uma antropologia diferente”, referiu o religioso à Agência ECCLESIA.

Para o especialista, é necessário respeitar a “lógica da fé”, dado que modelos “técnicos”, tirados das grandes organizações, nem sempre funcionam bem na pastoral.

O padre Michal Vojtás propõe que todos se tornem “parte significativa” da atividade, para que a pastoral não seja apenas de “eventos”, mas de “processos, de mudança”

“Queremos acolher este desafio, no desafio de uma pastoral sinodal, ou seja, caminhar juntos, participativa”, precisou o membro da Faculdade de Ciências da Educação, da Universidade Pontifícia Salesiana.

Em relação aos desafios colocados pela pandemia, o religioso salesiano destaca que “o encontro face a face é indispensável” no acompanhamento humano.

“É útil acompanhar os jovens para que se crie um equilíbrio entre mundo digital e mundo real”, mundos “entrelaçados”, que exigem uma gestão “harmoniosa”.

Já o padre Filipe Diniz, diretor do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ), sublinha a importância de promover um “sentido transformador” da pastoral, a partir da leitura da realidade.

“O contexto que estamos a viver é um contexto de acompanhamento”, fazendo caminho com os mais novos, referiu à Agência ECCLESIA.

O diretor do DNPJ sustenta que “a realidade é sempre desafiante e exige proatividade”.

Entre os participantes na formação está Ana Lúcia Agostinho, coordenadora do Departamento da Pastoral da Juventude na Diocese de Setúbal, que elogia o “caminho sinodal” que está a ser feito na preparação para a JMJ 2023.

“É muito bonito ver como a Igreja em Portugal está a dar esta importância não só à preparação do evento mas também a aproveitar para pensar, justamente, no processo, sinodal, transformativo”, refere.

A responsável fala de um ano marcado pela pandemia, com recurso às plataformas digitais, abrindo “outras possibilidades” e procurando criar “uma Igreja mais próxima, onde os jovens podem ser os protagonistas”.

João Fialho, animador da Pastoral Juvenil do Colégio dos Salesianos, em Lisboa, assume, por sua vez, a necessidade de olhar a planificação “com mais cuidado”.

O novo ano letivo trouxe dificuldades específicas, por causa da pandemia, assumindo-se agora a intenção de fazer uma transição do digital para “pequenos grupos”, acompanhados presencialmente, com outro tipo de atividades e de dinâmicas.

“A pastoral tem de saber responder a esta necessidade de presença, de relação”, conclui João Fialho.

CB/OC

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