Iniciativa da Conferência Episcopal Portuguesa desafia leitores a contribuir para melhorar o texto

Lisboa, 01 ago 2022 (Ecclesia) – A Comissão que coordena a nova tradução da Bíblia da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) lançou hoje o texto provisório do Deuteronómio, quinto do Antigo Testamento, com uma reflexão sobre a violência no texto sagrado para cristãos e judeus.

“Convém reconhecer que estes textos se referem a um tempo de há mais de 2500 anos, em que a convivência social e étnica era particularmente violenta. Várias vezes o extermínio dos adversários parecia ser a única estratégia possível de sobrevivência. Em segundo lugar, as evidências arqueológicas não comprovam a tese da aniquilação progressiva e total dos habitantes do país”, indica a nota introdutória dos especialistas convidados pela CEP.

Os tradutores admitem que o nível de violência referido no Deuteronómio, e no Antigo Testamento em geral, “costuma provocar algum incómodo nos leitores contemporâneos”.

“Grande parte das prescrições violentas do Deuteronómio são recursos literários e retóricos para chamar a atenção sobre a seriedade da palavra divina”, precisam.

O livro final do Pentateuco (o conjunto dos cinco livros iniciais da Bíblia) é apresentado como uma obra de “uma grande riqueza doutrinal, que assumiu, pelo tempo fora, um papel central na vida e na reflexão do Povo de Deus”.

O livro do Deuteronómio, considerado a coroa e a chave de ouro para a leitura do Pentateuco, tem um lugar especial entre os livros que integram o cânone da Sagrada Escritura. A sua influência sente-se especialmente na chamada Escola Deuteronomista, à qual se deve grande parte da redação e composição final dos livros que vão de Josué ao segundo livro dos Reis.

O título grego e latino do livro (Deuteronómion) pode significar “segunda lei”, já o título hebraico (Debarim) é retirado do primeiro versículo (1,1) e significa literalmente “Palavras” (dirigidas por Moisés a Israel), precisa uma nota enviada à Agência ECCLESIA.

Quanto à datação, tradutores indicam que a redação final do Deuteronómio “deve ter acontecido nos séculos V-IV a.C., após o exílio da Babilónia”.

“A tipologia do livro é, essencialmente, do género discursivo, adotando um estilo exortativo e profético, dentro do qual se inserem algumas narrativas”, acrescentam.

A versão está disponível na página de internet da Conferência Episcopal Portuguesa e os comentários podem ser enviados para o endereço eletrónico biblia.cep@gmail.com.

Desde agosto de 2021, um novo livro da Bíblia é disponibilizado mensalmente em formato digital, também através dos canais da Agência ECCLESIA.

Em março de 2019, a Conferência Episcopal Portuguesa apresentou o primeiro volume da nova tradução da Bíblia em português feita por 34 investigadores a partir das línguas originais, com a publicação da edição de ‘Os Quatro Evangelhos e os Salmos’.

OC

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