Lisboa, 21 fev 2018 (Ecclesia) – Os músicos César Prata e Sara Vidal apresentaram o trabalho discográfico ‘Cantos da Quaresma’, 12 músicas da religiosidade tradicional popular portuguesa mas que não são litúrgicos, em Lisboa, com o selo da editora ‘Sons Vadios’.

“A forma como trazemos as canções para o disco não é a tradição genuína em si, na Quaresma não se tocavam instrumentos, em muitas aldeias nem o sino”, contextualiza César Prata sublinhando que a recolha “é importante para se guardar”.

Em declarações à Agência ECCLESIA, após a apresentação do novo álbum ‘Cantos da Quaresma’, assinala que “a música tradicional é bastante funcional” e foi preciso explicar que “tem valor enorme e incalculável” e queriam gravar.

Neste contexto, recorda que as pessoas cantam uma determinada canção “quando estão a desempenhar uma determinada atividade”, por isso, chegaram a ouvir “cantar agora, mas porquê, o que interessa, não tem valor”.

Uma encomendação as almas, por exemplo, “as pessoas sentem dificuldade em cantar sem ser à noite, no Calvário, no grupo”.

César Prata e Sara Vidal à voz caraterística destas músicas que eram cantadas à capela acrescentaram vários instrumentos como a sanfona, o adufe, a guitarra, o hangdrum, a kalimba, o ponteiro e o saltério, a harpa celta e o adufe.

Os cantos foram ampliados na musicalidade e enriquecidos pelos instrumentos e os arranjos foram “uma questão central e muito delicada”.

“Tivemos muito cuidado, refletimos e discutimos muito sobre como arranjar os temas, cantar só não fazia sentido mas como arranjar sem beliscar a tradição”, acrescentou, destacando que são temas “muito especiais” na melodias, nas harmonias, nas próprias letras e “naquilo que transmitem”.

Já Sara Vidal revelou à Agência ECCLESIA que o novo álbum foi “um desafio muito interessante” e realçou a recriação dos dois músicos onde tentaram dar uma “roupagem” própria com as suas “influências e atualidade”.

“Não queremos retirar dramatismo mas tornar mais musical, foi esse o nosso desafio de recriar dando instrumentalização. Trazer esta tradição, que não se deixe perder, que não fique cristalizada mas tornar mais apetecível para quem não está habituado”, desenvolveu.

Para César Prata o novo trabalho discográfico é uma forma de trazer as músicas tradicionais da religiosidade popular e que não são litúrgicas para o tempo atual.

Antes destes cantos da Quaresma serem editados, os dois músicos apresentaram em 2017 as músicas em espetáculos que foram “muito bem recebidos”.

“As pessoas gostaram de conhecer estes temas, algumas pessoas de os rever, pelo menos lembrar alguma coisa”, acrescentou.

A ‘Sons Vadios’, que editou o novo álbum, é uma cooperativa cultural com missão de trabalhar a música de raiz cultural portuguesa.

“É neste sentido que este trabalha ganha importância, obviamente que é um trabalho de cariz religiosos muito próprio desta época que estamos a viver. Foi lançado agora porque não queremos dissociar da época em que se enquadra”, explicou Sónia Gaspar da editora.

Para a ‘Sons Vadios’ “é importante agarrar nestes temas”, que eram cantados há 50, 80, 100 anos, e mostrar à população em 2018.

HM/CB

 

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