«Aproximar-nos da realidade de cada um é a grande missão e o grande desafio»- Ana Noro

Viana do Castelo, 19 nov 2021 (Ecclesia) – A Ação Católica Rural (ACR) em Portugal está a refletir sobre o papel da Igreja Católica no pós-pandemia, com atenção particular às pessoas em dificuldade e às novas gerações.

“A sociedade tem alguns problemas e termos estado fechados tanto tempo a nível de saúde mental também se verifica. É tudo um misto de aprendizagem, de sensações, que existe à nossa volta. Sentimos a necessidade de falar disto e provavelmente aprofundar ao longo dos tempos”, referiu hoje a presidente da ACR, em declarações à Agência ECCLESIA

Segundo Ana Noro, o movimento, que não é massas, tem a necessidade de ser ‘Igreja de fermento’, isto, é de evangelizar “no meio e de acordo com o que a sociedade e a Igreja precisam neste momento”.

Para além do contexto pós-pandémico, o desafio do movimento, com cerca de 2 mil membros, passar por usar uma nova linguagem, especialmente para comunicar com os mais novos.

“Aproximar-nos da realidade de cada um, essa é a grande missão e o grande desafio”, realçou.

O movimento também está a trabalhar tendo no horizonte a edição da Jornada Mundial de Lisboa, que vai decorrer 2023, pelo que criada uma equipa específica de jovens, porque este encontro “é para todos”, mesmo os adultos, “embora de maneiras diferentes”.

A responsável nacional lembra que, quando começou o confinamento, a ACR teve alguma dificuldade em adaptar-se à “nova realidade e foi difícil arrancar no meio digital”.

“Sentimos a necessidade de alargar o conhecimento e notamos no nosso movimento, e em outros movimentos católicos, um afastamento dos militantes porque não conseguiram adaptar-se e, durante muito tempo, as Igrejas estiveram fechadas: a Missa é um alimento que precisamos muito”, desenvolveu Ana Noro.

A ACR Portugal dinamizou um seminário nacional, com o tema ‘A Igreja Pós Pandemia’, a 13 de novembro, que mobilizou cerca de 70 militantes e simpatizantes (presencialmente e online).

Os trabalhos foram orientados por D. António Couto, bispo de Lamego.

O movimento está presente em várias dioceses – Braga, Coimbra, Funchal, Guarda, Lisboa, Porto, Santarém, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu – e a pandemia também originou o regresso de “alguns militantes”, que “não conseguem estar sempre presentes”, mas “aproximaram-se pelo online”, como de Angra, Portalegre-Castelo Branco e Bragança-Miranda.

A entrevistada adianta que a reflexão sobre o próprio movimento, presente em Portugal desde 1933, “é um tema debatido muitas vezes”, observa que não são “uma ruralidade propriamente dita” mas estão mais presentes neste meio.

“Gostamos de pensar que este rural é muito mais abrangente que o meio agrícola”, explicou.

A ACR continua a dinamizar a campanha nacional de solidariedade ‘Cinco pães e dois peixes’, que surgiu durante a pandemia para apoiar famílias e pessoas em dificuldades, “e provavelmente irá durar ainda muito tempo”.

“As familiais já conseguiram avançar mas ainda há gente a precisar de ajuda e há muita pobreza envergonhada”, desenvolveu Ana Nora, adiantando que no Natal vão oferecer “cabazes mais trabalhados” e as crianças da ACR também estão a ajudar “nuns miminhos” e vão participar na ação de solidariedade com postais.

CB/OC

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