Responsável pelo projeto, Pedro Resende Leão, e ecónomo da diocese, padre Samuel Guedes, apresentam ponto de situação dos trabalhos, abordam criação de hospedaria e falam dos donativos recebidos para a reabilitação do edifício

Lisboa, 28 set 2026 (Ecclesia) – O arquiteto Pedro Resende Leão afirmou que o “Porto vai ganhar 1650 metros quadrados de arruamentos novos e um jardim público no centro” da cidade com a obra de reabilitação do Seminário Maior, que teve início em março.
Em declarações à Agência ECCLESIA a propósito do avanço da intervenção, o responsável do projeto explicou que “mais de 10% do lote” desta infraestrutura, que agora é renovada, foi cedida, “nesta operação urbanística, à via pública”.
“[As pessoas] vão poder descer a escada do colégio, passar pelo bar do colégio, ir ao miradouro do colégio, descer umas escadas novas, com o que a gente chama no projeto de ‘escadas de seminário’, ainda não têm nome”, indica.
“Vai ser uma via pública. Depois é fazer um caminho, que era a leira do meio, que é o que nós chamamos em projeto ‘o caminho da cerca’, e chegar a pé à escada do Barredo”, desenvolve o arquiteto.
Segundo Pedro Resende Leão, esta será a “principal mudança” que a intervenção vai provocar aos olhos dos cidadãos da cidade: “O que vai ficar de memória para o Porto é o ganho deste espaço público”.
O ecónomo da diocese, padre Samuel Guedes, destaca o “espaço muito agradável”, que identifica como miradouro, que a região vai usufruir com a obra, orçada em 16 milhões de euros e que tem um prazo previsto de dois anos.
“Um jardim muito bonito, aberto ao público, que vai unir o largo do Colégio, que é aquele largo em frente à igreja dos Grilos, até à escada das Verdades, onde os turistas, os cidadãos do Porto, todas as pessoas, vão poder usufruir de uma vista fantástica do rio de Douro, um espaço de lazer fantástico”, descreveu.
Ao Seminário Maior de Nossa Senhora da Conceição do Porto, que será composto por 54 quartos, com casas de banho privativas, sala de refeições, cozinha reabilitada, zona de estar, espaço de convívio dos seminaristas, jardins, vai juntar-se uma nova valência: uma hospedaria, que visa assegurar a sustentabilidade financeira da própria casa.
“Tem sala de refeições, restaurante, zonas de jardim, tem receção, e vai ter 53 quartos, também todos suites”, detalhou o arquiteto.
“Nós não podemos estar à espera, como antigamente, dos ofertórios, porque as comunidades precisam deles. E, portanto, era das paróquias que vinha muito da receita para o funcionamento das estruturas diocesanas”, deu conta o padre Samuel Guedes.
“A diocese forma os seus padres, mas precisa de ter sustentabilidade para os formar. Esta hospedaria vai, naturalmente, ajudar a trazer sustentabilidade”, complementou.
Sobre o processo de construção do novo edificado, o arquiteto Pedro Resende Leão enfatiza que, em conjunto com o Seminário, formam “um edifício único” e que “vão viver de espaços comuns”, divididos do ponto de vista físico, e que, por isso, já há partes as serem intervencionadas.

“Os hóspedes não entram pelo seminário dentro, os seminaristas não entram pela hospedaria dentro. Por razões óbvias, o seminário é uma casa para pessoas que residem aqui o ano inteiro, a hospedaria é um local para receber pessoas de fora, turistas, visitantes, que vão estar uma semana, um dia, um fim-de- semana, e que vão e vêm”, acentua.
“Mas estas duas valências são duas valências de um edifício só. Ou seja, só temos uma entrada de água, só temos uma entrada de eletricidade, só temos uma saída de residuais”, frisa o arquiteto.
O padre Samuel Guedes realça que esta é uma “obra complexa”, com “muitos zeros”, que obrigou à realização de “investimentos bancários” e, por isso, toda a receita gerada, quer com a hospedaria, quer com outras iniciativas na diocese, destina-se “ao longo destes anos”, pagar o valor da reabilitação.
| Em março deste ano, o bispo do Porto, D. Manuel Linda, apelou a donativos para a renovação do Seminário Maior de Nossa Senhora da Conceição do Porto que, segundo o ecónomo da diocese, têm chegado à diocese, muitas vezes por intermediário dos bispos auxiliares, a quem, nas visitas às vigararias e paróquias, as comunidades oferecem o seu contributo.
O padre Samuel Guedes recordou o caso de uma “quantia significativa” que caiu na conta da diocese e sobre a qual não se tinha informação, descobrindo-se mais tarde quem era o seu autor. “Foi um senhor já maduro. Maduro, mas com um amor grande à Igreja, que deixou um donativo muito significativo para a obra do Seminário”, contou, relatando também que, no verão, quando foi convidado a presidir a uma festa, no final da Missa, recebeu também um envelope com valor monetário para o mesmo fim. “Estamos a perceber que o Seminário e a obra do Seminário não são uma coisa só do coração dos padres, mas também do coração de todos os diocesanos”, expressou. |

Sobre o significado do investimento na reabilitação desta estrutura, o ecónomo ressalta que a diocese tem a “responsabilidade” de manter a identidade deste edifício, que é “emblemático” para a cidade, apresenta muita história e que está ligado à Igreja desde os seus inícios.
“Nós queremos que o Seminário continue aqui, queremos que ele seja um sinal neste núcleo histórico da diocese do Porto, não só pela sua história, mas um sinal da Igreja, da identidade da Igreja, da formação para o sacerdócio e, portanto, essa é a nossa primeira preocupação para o investimento”, disse.
O padre Samuel Guedes lembra que o edifício “não tem só espaço para a formação sacerdotal”, mas inclui também uma igreja e um museu abertos ao público, bem como uma biblioteca, que pode ser também utilizada para investigação.
Atualmente, os seminaristas encontram-se a residir na Casa Diocesana de Vilar, no Porto, edifício com 30 anos, que tem vindo a ser arranjado e recuperado.
“Não é para lá ficarem, porque ela não pretende ser o Seminário do Futuro, portanto, [após as obras] vêm para aqui [Seminário Maior], vêm para a sua casa, e aqui vão continuar”, declarou.
A conclusão dos trabalhos de reabilitação está prevista para 2028, prazo que o arquiteto acredita que vai ser cumprido: “A minha perceção diz-me que vamos ser bem-sucedidos, porque temos tido muitos problemas, mas são problemas que são postos em cima da mesa e que as equipas encontram solução”.
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| A Diocese do Porto assinalou o início oficial das obras de reabilitação do Seminário Maior com a assinatura do auto de consignação da empreitada, no dia 4 de março, com um orçamento de 16 milhões de euros e o prazo de execução previsto de dois anos.
O arquiteto lembra que a reabilitação do edifício acontece devido à incapacidade que apresentava em servir os seminaristas, uma vez que as instalações da infraestrutura estavam idênticas ao ano de 1950. “Tínhamos um conjunto de cerca de 90/100 quartos, com 18 chuveiros e com 20 retretes. Ou seja, em balneário, sem instalações privativas. E há mais de 20 anos que se vem falado, dentro da diocese, que o Seminário já não tinha as condições necessárias e suficientes à luz do século XXI para receber pessoas e para ser a casa de uma comunidade residente”, recorda. |







