D. Manuel Linda presidiu à celebração do aniversário da dedicação da Catedral diocesana

Foto: Diocese do Porto

Porto, 10 set 2020 (Ecclesia) – O bispo do Porto alertou esta quarta-feira para a tentação de “voltar as costas a Deus”, quando tudo corre bem, falando na Eucaristia que assinalou o aniversário da dedicação da Catedral diocesana.

“Queremos Deus perto de nós, como polícia a quem recorrer se nos sentimos atacados pela desgraça. Mas, na nossa casa e, muito mais, no nosso coração, podem entrar cães e gatos, cobras e lagartos, mas Deus… fica à porta”, disse D. Manuel Linda, na sua homilia.

O bispo do Porto referiu que “o grande mistério e o segredo do relacionamento com o divino” reside em querer ser “os templos vivos de Deus”.

“Que Deus habite na igreja, muito bem: Ele lá está para quando eu precisar, como o médico está nas urgências; mas que habite em nós, isso não, porque, assim, eu imagino que sou mais livre e que, dessa forma, posso fazer o bem ou o mal que me apetecer. É a terrível dicotomia fé/vida. O que, na prática, representa um voltar as costas a Deus”, desenvolveu.

O bispo do Porto espera que Catedral da diocese, o lugar onde se celebram “os momentos cimeiros da vida religiosa da diocese”, continue a ser “metáfora do verdadeiro templo onde Deus quer habitar”

“Edificado bem no alto deste morro da Pena Ventosa, seja expressão de uma cidade viva e dinâmica que sabe levantar as mãos para Deus e receber dele a fé, a esperança e a caridade com as quais se humaniza e se torna ainda mais aberta e solidária”, acrescentou.

Na homilia publicada no sítio online da Diocese do Porto, intitulada ‘coroar de espiritualidade a matéria do mundo’, D. Manuel Linda salientou que uma igreja “é sempre uma nota de poesia na prosa bárbara das vidas”, “um espaço de silêncio e interioridade no meio do bulício e dispersão” da forma como se tece “a existência”.

“É despertador das nossas consciências, recordando que é possível a santidade no meio das desordens morais, individuais e coletivas. É, enfim, o lugar dos afetos e dos sentimentos, pois neste espaço se vertem lágrimas de alegria num casamento e lágrimas de dor num funeral, exprime-se a ternura do encanto de um batismo ou primeira comunhão e a angústia de quem pede afincadamente uma graça”, prosseguiu.

D. Manuel Linda assinalou que os cristãos não constroem “igrejas para deixar marcas de civilização”, nem para afirmar um qualquer poder, mas porque estas construções “constituem uma imagem da vida da fé e mesmo da relação da graça divina”.

O bispo do Porto explicou que dedicar um espaço ou objeto religioso a Deus “é o mesmo que o declarar exclusivo para o serviço divino” e na Catedral diocesana, por exemplo, “cabe a dimensão cultural, artística, museológica” e até, em caso de cataclismo, “poderia ser transformada em espaço de refúgio ou refeitório de emergência”.

“Para a cultura e para o exercício habitual da caridade havemos de conseguir outros espaços mais apropriados. Aqui não. Este é primordialmente para o louvor divino. Até porque a disposição dos diversos materiais objetos criam um tal ambiente espiritual que o configuram como ideal para escutar o recado, a mensagem, que Deus tem para o homem”, observou D. Manuel Linda.

CB/OC

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