A guerra do Iraque foi debatida durante algum tempo apenas como questão ideológica. Bem nos lembramos dos acessos de prós e contras, quase separados da análise ética da guerra. Discutia-se prioritariamente a decisão americana de invadir ou não o Iraque. Também não esquecemos o séquito de países que foram no rasto, com apoios incondicionais ou mesmo envio de tropas ou forças de segurança para o terreno. Todo esse absurdo se torna agora óbvio. Mas importa recordar vozes, distantes da querela política, que nunca tiveram a mais pequena hesitação em avisar para o erro e perigo do começo de uma guerra cujo desfecho era imprevisível. O Patriarca de Lisboa usou mesmo a expressão “pontapé no formigueiro” como algo de explosivo com efeitos incomensuráveis. Agora, em Portugal, Brent Scowcroft, um antigo conselheiro de Bush pai, avisa que a pacificação e reconstrução do Iraque pode ser um problema de décadas. “A guerra – reconhece – foi uma decisão precipitada de antigos falcões da Guerra Fria”. João Paulo II lembrava que “se sabe como começa a guerra mas nunca como termina”. Foi uma pregação “oportuna e inoportuna” contra todas as guerras, mas contra esta em concreto. Passado este tempo onde há vencedores e vencidos no prélio da opinião, toda a humanidade está derrotada com o que ora acontece. Não se trata de discutir a guerra ou a paz como teoria ou espada ideológica. A história volta a ensinar-nos que nunca se calcula correctamente o preço de uma guerra. E por isso só um caminho nos resta: procurar até à exaustão as hipóteses de reconciliação. A paz continua a não ter preço. António Rego

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