Presidente da Cáritas Portuguesa sobre os apoios extraordinários às famílias

Foto: Agência ECCLESIA/HM

Lisboa, 11 set 2022 (Ecclesia) – Para a presidente da Cáritas Portuguesa as medidas decretadas pelo governo para atenuar os efeitos da inflação deviam ter chegado mais cedo porque este horizonte económico já era evidente há algum tempo.

“As medidas, ainda que tardias, quando as pessoas precisam é sempre importante que cheguem”, considera Rita Valadas.

A convidada da entrevista semanal Ecclesia/Renascença, emitida e publicada a cada domingo, reconhece que, apesar de tudo, os apoios chegam ao bolso dos portugueses num momento oportuno: “Outubro é o mês de regresso às aulas, e apesar dos manuais escolares serem gratuitos, os custos de voltar à escola não são de somenos”.

Convicta de que o atual momento económico significa “um passo atrás” na qualidade de vida de todos, Rita Valadas reconhece que as medidas ajudam, mas não deixam de ser “um bocadinho cosméticas e como em qualquer pintura facial, desaparecem rápido” salienta.

“Nós não conseguimos evolução na situação das pessoas se não aumentarmos o rendimento e o rendimento não se aumenta com subsídios. É por isso que as medidas estruturantes são aquelas que acrescentam ao rendimento e que, portanto, nos permitem alterar a situação de vida de uma forma consistente”, afirma Rita Valadas.

As previsões apontam para uma inflação de 8 por cento com consequências absolutas no custo de vida, perante este cenário, a presidente da Cáritas Portuguesa não esconde a sua apreensão pela situação das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS).

Há contratos de fornecimento alimentar que as empresas não irão conseguir cumprir nem as IPSS estão em situação de poder pagar mais pela alimentação e Rita Valadas teme que este cenário resulte na negociação dos produtos pondo em causa o bem-estar dos utentes e a sua alimentação equilibrada.

A presidente da Cáritas Portuguesa lembra também a situação dos estudantes que são particularmente agredidos, seja pela situação quer da habitação, quer dos custos ligados à prossecução dos seus estudos: “Quantos jovens não se verão na necessidade, se não houver medidas, de abandonar a universidade porque não conseguem suportar os seus custos?”

Na entrevista conjunta Renascença/Ecclesia, Rita Valadas lembra a importância da proximidade à vida real dos portugueses por parte de quem tem responsabilidade nas medidas sociais.

“Quem não conhece, tem que conhecer. Quem quer pensar as medidas políticas, quem quer pensar as soluções não pode estar confortável só com relatórios porque não saberá o que eles descrevem e em que é que se baseiam.”

Henrique Matos (Ecclesia) e Henrique Cunha (Renascença)

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