A decisão do Vaticano de devolver à Igreja Ortodoxa russa um ícone de Nossa Senhora de Kazan, muito venerada na Rússia, foi saudada por um alto responsável do Patriarcado de Moscovo, que sublinho, no entanto, que a peça se trata de uma cópia do ícone do século XVI. “O ícone será devolvido sem nenhuma condição e trata-se de um gesto de boa vontade que será apreciado pelos crentes na Rússia”, disse à AFP o número dois do departamento para as relações exteriores do Patriarcado ortodoxo de Moscovo, Pe. Vsevolod Tchapline. João Paulo II decidiu devolver ao Patriarcado Ortodoxo de Moscovo o ícone de Nossa Senhora de Kazan, num gesto que foi entendido como um testemunho da vontade do Papa em melhorar as relações entre católicos e ortodoxos. O porta-voz do Vaticano, Joaquin Navarro-Valls, anunciou que o ícone será entregue à Igreja Ortodoxa no final de Agosto. “No dia 28 de agosto será entregue a imagem sagrada do ícone de Kazan, e antes o Papa gostaria de realizar um acto de devoção a esta imagem, que acompanha o seu trabalho desde há muitos anos, no escritório particular do apartamento papal em Roma”, referiu Navarro-Valls. João Paulo II queria entregar pessoalmente o ícone em Kazan, mas a Igreja Ortodoxa russa opôs-se à ideia por causa do contencioso entre as duas Igrejas. O Patriarcado de Moscovo critica a Igreja Católica por considerar que o estabelecimento de Dioceses na Rússia é uma forma de proselitismo e porque a Santa Sé terá tomado aquela decisão sem antes informar os responsáveis ortodoxos. Segundo o porta-voz do Vaticano, “João Paulo II espera que este gesto possa contribuir para a unidade tão esperada entre as Igrejas Católica e Ortodoxa”. No início deste mês, o Papa João Paulo II e o Patriarca Ecuménico Ortodoxo de Constantinopla, Bartolomeu I, assinaram uma declaração comum onde assumiam que o caminho para a unidade permanecia marcado por diversos obstáculos e asseguravam “o compromisso dos católicos e dos ortodoxos ao serviço da grande causa de uma plena comunhão dos cristãos”. O ícone de Nossa Senhora descoberto em Kazan no ano de 1597 é venerado pelos seus poderes miraculosos. Após ter sido roubado da Catedral de Kazan foi transportado para o estrangeiro, passando pelas mãos do exército polaco, tendo os especialistas perdido o seu rasto no ano de 1904.
