Santa Sé manifesta «incredulidade e tristeza» e D. Manuel Clemente envia mensagem de solidariedade

Foto: Lusa

Paris, 15 abr 2019 (Ecclesia) – Um incêndio de grandes proporções atingiu hoje a Catedral de Notre-Dame, um dos edifícios emblemáticos da capital francesa, episódio “potencialmente ligado” às obras de restauro em curso, segundo os bombeiros locais.

O fogo, que acontece no segundo dia da Semana Santa, alastrou-se pelo sótão da catedral para estender-se ao resto do edifício, com visíveis colunas de chamas e fumo.

O incêndio provocou elevados danos na co atrução, cujo pináculo colapsou.

A Santa Sé reagiu em nota oficial, manifestando “incredulidade e tristeza” perante “a notícia do terrível incêndio que assolou a catedral de Notre-Dame, símbolo do Cristianismo, na França e no mundo”.

“Expressamos a nossa proximidade aos católicos franceses e à população parisiense. Rezamos pelos bombeiros e por todos os que fazem o seu melhor para enfrentar esta situação dramática”, pode ler-se na mensagem.

Em Portugal, D. Manuel Clemente, cardeal-patriarca de Lisboa, reagiu com uma mensagem divulgada através do Twitter: “Grande é a tristeza com o incêndio na Catedral de Notre-Dame, coração religioso e artístico de Paris e referência maior para todos nós”.

“Estamos próximos da cidade, da diocese e do seu Arcebispo, certos da ressurreição que tudo tem em Cristo”, prossegue.

D. Michel Aupetit, arcebispo de Paris, dirigiu uma mensagem a todos os padres da diocese, informando que “os bombeiros ainda estão a lutar para salvar as torres de Notre-Dame de Paris”.

“O sótão, o telhado e o pináculo foram consumidos. Rezemos. Se desejarem, podem tocar os sinos das igrejas para convidar a oração”, escreveu.

A presidente do Município de Paris, Anne Hidalgo fala de um “fogo terrível”, sublinhando que as autoridades estão mobilizadas, “em estreita ligação” com a Arquidiocese local.

O presidente francês, Emmanuel Macron, publicou uma mensagem em que fala da “emoção de toda uma nação” e deixa um pensamento para “todos os católicos e todos os franceses”.

“Estou triste por ver arder esta parte de nós”, assinala, através da sua conta na rede social Twitter.

Macron, lançou uma campanha internacional para recolher fundos que permitam a reconstrução da Catedral de Notre-Dame.

“Vamos reconstruir Notre Dame em conjunto”, disse esta noite, junto à catedral.

O chefe de Estado francês classificou o incêndio como uma “terrível tragédia”, explicando que “dois terços da cobertura ficaram destruídos, mas o pior foi evitado”.

O arcebispo Éric Moulin-Beaufort, presidente da Conferência Episcopal de França (CEF), assume que esta é “uma grande ferida”, que vai para lá do Cristianismo, assinalando que a catedral é um símbolo “de paz, de beleza e de esperança”.

António Guterres, secretário-geral da ONU, mostrou-se “horrorizado” pelas imagens do incêndio nesta “jóia única” de Paris.

“Os meus pensamentos estão com o povo e o governo francês”, acrescenta.

A construção da catedral, de estilo gótico, teve início em 1163 e foi concluída em 1345; no século XIX foi restaurada pelo arquiteto Viollet-le-Duc.

Mais de uma dezena de igrejas foram profanadas nos últimos meses, em França, e incêndios atingiram espaços como a Igreja de São Sulpício, em Paris.

Foto: Lusa

A Catedral de Notre-Dame é propriedade do Estado, de acordo com lei francesa de separação Igreja-Estado de 1905, e o seu uso é atribuído à Igreja Católica.

Apesar de alguns incidentes, ao longo dos séculos, este é o maior incêndio a atingir o edifício, património mundial da humanidade, que foi poupado durante as duas guerras mundiais.

O teto da catedral, que desabou no fogo, datava de 1326 e tinha um peso de 210 toneladas, assentes numa estrutura em madeira de carvalho.

A construção foi encomendada pelo bispo Maurice de Sully; a primeira pedra foi colocada na presença do Papa Alexandre III, que ficou em Paris de 24 de março a 25 de abril de 1163, durante o reinado de Luís VII.

Em 1185, durante a primeira celebração no interior da catedral, o patriarca de Jerusalém Heráclio de Cesareia convocou Terceira Cruzada.

OC

Notícia atualizada às 23h00

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