Papa condena divisões entre cristãos

Bento XVI disponível para estudar outros «caminhos» para o exercício do primado universal Bento XVI manifestou esta manhã, em Istambul, a sua tristeza pelas divisões que existem entre milhões de cristãos de diversas confissões, considerando que as mesmas “são um escândalo para o mundo e um obstáculo para a proclamação do Evangelho”. No discurso que proferiu após a Divina Liturgia na igreja ortodoxa de São Jorge, por ocasião da Festa de Santo André, o Papa disse que a sua presença na cerimónia se destinava a “renovar o compromisso comum para prosseguir o caminho do restabelecimento, com a Graça de Deus, da plena comunhão entre a Igreja de Roma e a Igreja de Constantinopla”. “A Igreja Católica está pronta a fazer todos os possíveis para superar os obstáculos e procurar, juntamente com os nossos irmãos e irmãs ortodoxos, meios cada vez mais eficazes de colaboração pastoral para esse fim”, apontou. O testemunho comum, frisou, é fundamental perante o processo de secularização que, na Europa, “enfraqueceu” a tradição cristã, que é mesmo “posta em causa e até rejeitada”. “Somos chamados, juntamente com todas as outras comunidades cristãs, a renovar a consciência da Europa, no que se refere às suas raízes, tradições e valores cristãos, dando-lhes uma nova vitalidade”, prosseguiu. O Papa foi directo a um dos temas que mais divide as duas Igrejas, o primado universal de Pedro e dos seus sucessores, para referir que o mesmo é um “serviço” que, lamentavelmente, “deu origem às nossas diferenças, que esperamos superar graças, também, ao diálogo teológico que foi retomado recentemente”. Neste sentido, Bento XVI retomou palavras de João Paulo II, indicando a “misericórdia” como elemento chave da missão do Papa e renovando o convite para “identificar caminhos em que o ministério petrino possa ser exercido, respeitando a sua natureza e essência”. O objectivo seria “realizar um serviço de amor reconhecido por uns e outros”. Do Fanar de Istambul, sede do Patriarcado Ortodoxo, o Papa renovou o pedido a todos os líderes do mundo para que respeitem a liberdade religiosa “como um direito humano fundamental”, evocando, também, os mártires que, no Ocidente e no Oriente, deram e dão “corajosos testemunhos de Fé”. Aqui teve lugar mais uma prova de diálogo e unidade, quando Bento XVI e Bartolomeu I se debruçaram sobre a varanda do Fanar para uma bênção comum, seguida de um gesto de amizade do Patriarca, que tomou a mão do Papa, levantando-a para o céu. Notícias relacionadas • Discurso do Papa (Inglês e Italiano)

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