Paulo Rocha, Agência Ecclesia


Faltam abraços
para celebrar vitórias, solenizar conquistas e etapas vencidas, sorrisos e alegrias da vida; e faltam aqueles abraços que sinalizam o dom, alargam a esperança e consideram, sempre, o que há a construir.

Faltam abraços para dar brilho à amizade, à maré-alta de encontros, diálogos, partilhas; e faltam também os abraços que confirmam novas descobertas, ampliam os afetos e inauguram novas proximidades que a solidariedade gera.

Faltam abraços que confirmem a paz, o diálogo entre partes, a tranquilidade no meio de incertezas; e faltam especialmente os abraços que apontem para lá do que é possível abarcar, de seguranças falidas, do provisório permanente.

Faltam os abraços que acarinham a dor, aliviam o sofrimento, dão vigor às fragilidades; e faltam também aqueles abraços que celebram a vida, reconhecem cuidados e sinalizam recomeços após desassossegos de um tempo relegado para mundos da ficção.

Faltam os abraços transformados em rotinas no quotidiano, os que definem cada dia e marcam cada encontro; e faltam sobretudo os abraços que alargam horizontes, colocam a confiança nas pegadas do caminho e consideram o transcendente, Deus, essencial nas coreografias humanas.

Faltam abraços que a pandemia impede; e faltam particularmente os abraços que cada humano nega ao humanismo, que cada crente descura no ambiente da fé.

Os abraços que nos faltam limitam o rito, mas, mesmo não dados, estimam as emoções.

Os abraços que nos faltam inibem gestos, mas aproximam sentimentos.

Os abraços que nos faltam poupam os ossos, mas alargam o coração.

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