P. Gonçalo Castro Fonseca, sj

Mas a vergonha de ser sírio é real e vem de fora! Quando o mundo – independentemente das razões – isola o país, fecha as portas e ostraciza tudo o que vem daqui, há um sentimento de vergonha, de estar só.

Creio que é comum o sentimento de orgulho da nossa nação quando temos oportunidade de fazer alguma experiência no estrangeiro, mesmo que essa experiência seja fascinante. Por mais enriquecido que eu me sinta pelas oportunidades de viver no estrangeiro que foram surgindo no meu percurso, nunca deixei de sentir o são-orgulho de ser português. E não tenho o menor pudor em o afirmar! Posso até ter vergonha de alguns factos mas nunca de ser português e não admitiria que me fizessem sentir vergonha do nosso “jardim à beira mar plantado”.

Porque falar do orgulho ou da vergonha de ser desta ou daquela nacionalidade?

Na Síria parece haver um sentimento geral de vergonha. Consigo até perceber, pelo tanto que lhes foi tirado, pelas humilhações sofridas quase diariamente, pela dignidade arrasada, pelo passado destruído, futuro aniquilado e por um presente quase sem sentido. Talvez não seja vergonha, mas sim um sentimento de pena, uma pena partilhada por cada um e nessa partilha cada um vai encontrando suporte e forças para chegar ao amanhã, na esperança de reencontrar o sentido que lhes foi roubado. Mas a vergonha de ser sírio é real e vem de fora! Quando o mundo – independentemente das razões – isola o país, fecha as portas e ostraciza tudo que vem daqui, há um sentimento de vergonha, de estar só. E, eu não acredito que haja tal coisa como “orgulhosamente sós”. Isto é verdade para a nação, mas também para cada um que teve “o azar” de nascer sírio.

CONTINUAR A LER

Partilhar:
Share