D. Rui Valéro explica que as estações têm novos nomes como «confinamento», «trabalhava», «fome», «solidão»

Odivelas, 02 abr 2021 (Ecclesia) – O bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança disse hoje na homilia da Celebração da Paixão do Senhor que a humanidade está a viver uma “dramática via-sacra provocada pela pandemia” e as muitas estações têm “nomes novos”.

“Hoje, as estações são designadas por ‘confinamento’, ‘trabalhava’, ‘vivia aqui’, ‘pobreza’, ‘fome’, ‘solidão’, ‘abandonado’, ‘morte’”, explicou D. Rui Valério, na igreja Nossa Senhora da Anunciação, na Póvoa de Santo Adrião (Patriarcado de Lisboa).

Na homilia da celebração da ‘Paixão do Senhor’, enviada à Agência ECCLESIA, o bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança de Portugal afirmou que a humanidade está a “viver uma dramática via-sacra provocada pela pandemia” e nunca, como atualmente, viveu “uma sintonia tão profunda entre a Paixão do mundo e a Paixão de Cristo”.

D. Rui Valério indicou que hoje os caminhos da via-sacra são as “estradas do sofrimento e do cansaço”, onde se revelam muitos dramas, “nos corredores dos hospitais, nos trilhos dos cemitérios”, pelas avenidas ladeadas de pessoas em situação de sem-abrigo, nos “portões encerrados de postos de trabalho”.

“O calvário, onde é implantada a Cruz, são os leitos do sofrimento, enfermarias superlotadas, idosos isolados nas suas casas ou em lares; são as humilhações de quem perdeu o emprego, as dúvidas de quem já não tem certezas”, desenvolveu.

Neste contexto, o bispo do Ordinariato Castrense refere que a morte “revive-se” em dramas de despojamentos, nas ausências das pessoas amadas, “nas incertezas do hoje e do amanhã, no colapso da justiça e da paz”.

A Igreja Católica evoca hoje, Sexta-feira Santa, a morte de Jesus, num dia de jejum para os fiéis, que não celebram a Missa, mas uma cerimónia com a apresentação e adoração da cruz.

“A cruz, para além da força solidária que revela, e da capacidade luminosa de Cristo Crucificado em decifrar o mistério do sofrimento humano, também se ergue com uma incomensurável força de vida e esperança”, concluiu D. Rui Valério na celebração que presidiu na igreja Nossa Senhora da Anunciação, na Póvoa de Santo Adrião.

CB

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