Francisco deixa alerta sobre exclusão económica e social

Nova Iorque, Estados Unidos da América, 25 set 2015 (Ecclesia) – O Papa Francisco alertou hoje na sede da ONU para as consequências de uma “crise ecológica” que coloca em causa a sobrevivência da humanidade.

“A crise ecológica, juntamente com a destruição de grande parte da biodiversidade, pode pôr em perigo a própria existência da espécie humana”, alertou, na sua primeira visita à sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, Estados Unidos da América.

Francisco defendeu um “direito do ambiente”, com “limites éticos que a ação humana deve reconhecer e respeitar”.

“Qualquer dano ao meio ambiente é um dano à humanidade”, acrescentou.

Na linha do que escreveu na sua recente encíclica ‘Laudato si’, o Papa afirmou que cada ser vivo possui “um valor de existência”.

“Nós cristãos, juntamente com as outras religiões monoteístas, acreditamos que o universo provém duma decisão de amor do Criador, que permite ao homem servir-se respeitosamente da criação para o bem dos seus semelhantes e para a glória do Criador”, prosseguiu.

O pontífice argentino associou o abuso e a destruição do meio ambiente a um processo “ininterrupto” de exclusão, fruto da “ambição egoísta e ilimitada de poder e bem-estar material”.

“A exclusão económica e social é uma negação total da fraternidade humana e um atentado gravíssimo aos direitos humanos e ao ambiente”, alertou.

Segundo o Papa, os mais pobres são aqueles que mais sofrem, por serem “descartados pela sociedade”, “obrigados a viver de desperdícios” e por carregarem “injustamente as consequências do abuso do ambiente”.

“O carácter dramático de toda esta situação de exclusão e desigualdade, com as suas consequências claras, leva-me, juntamente com todo o povo cristão e muitos outros, a tomar consciência também da minha grave responsabilidade a este respeito, pelo que levanto a minha voz, em conjunto com a de todos aqueles que aspiram por soluções urgentes e eficazes”, assumiu o Papa.

A este respeito, realçou que a adoção da ‘Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável’, durante a Cimeira Mundial que hoje mesmo começa, é “um sinal importante de esperança”.

Francisco deixou ainda votos de que Conferência de Paris sobre as alterações climáticas, em dezembro, alcance “acordos fundamentais e efetivos”.

“O mundo pede vivamente a todos os governantes uma vontade efetiva, prática, constante, feita de passos concretos e medidas imediatas, para preservar e melhorar o ambiente natural e superar o mais rapidamente possível o fenómeno da exclusão social e económica”, exigiu.

O Papa alertou para problemas como o tráfico de seres humanos, a exploração sexual, o trabalho escravo, “incluindo a prostituição”, o tráfico de drogas e de armas, terrorismo e criminalidade internacional organizada.

OC

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