Francisco pede decisões «globais» para ajudar excluídos e necessitados

Nova Iorque, Estados Unidos, 25 set 2015 (Ecclesia) – O Papa alertou hoje na ONU para a situação de “pobreza extrema” em que milhões de pessoas vivem em todo o mundo, pedindo que os mais desfavorecidos possam ser “atores dignos do seu próprio destino”.

“Não podemos permitir-nos o adiamento de «algumas agendas» para o futuro. O futuro exige-nos decisões críticas e globais face aos conflitos mundiais que aumentam o número dos excluídos e necessitados”, declarou, na sua primeira visita à sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, Estados Unidos da América.

Francisco desafiou os responsáveis políticos a olhar para “homens e mulheres concretos”, sublinando que o desenvolvimento humano e o exercício da dignidade humana “não podem ser impostos”, mas “construídos e realizados por cada um”. supõe e exige que é assegurado antes de mais nada respeitando e reforçando o direito primário das famílias a educar e o direito das Igrejas e de agregações sociais a apoiar e colabor

Nesse contexto, defendeu o direito à educação, “mesmo para as meninas, excluídas nalguns lugares”, como base para a realização da Agenda 2030 e para a recuperação do ambiente.

“Ao mesmo tempo, os governantes devem fazer o máximo possível por que todos possam dispor da base mínima material e espiritual para tornar efetiva a sua dignidade e para formar e manter uma família, que é a célula primária de qualquer desenvolvimento social”, prosseguiu.

O Papa apresentou a trilogia “casa, trabalho e terra” como um “mínimo absoluto” para assegurar a dignidade humana, a nível material.

A nível espiritual, por sua vez, pediu “liberdade do espírito, que inclui a liberdade religiosa, o direito à educação e os outros direitos civis”.

“Por todas estas razões, a medida e o indicador mais simples e adequado do cumprimento da nova Agenda para o desenvolvimento será o acesso efetivo, prático e imediato, para todos, aos bens materiais e espirituais indispensáveis: habitação própria, trabalho digno e devidamente remunerado, alimentação adequada e água potável; liberdade religiosa e, mais em geral, liberdade do espírito e educação” insistiu.

Francisco aludiu nesta parte do discurso ao direito à vida, e, em sentido ainda mais amplo, ao “direito à existência da própria natureza humana”.

“A casa comum de todos os homens deve continuar a erguer-se sobre uma reta compreensão da fraternidade universal e sobre o respeito pela sacralidade de cada vida humana, de cada homem e de cada mulher; dos pobres, dos idosos, das crianças, dos doentes, dos nascituros, dos desempregados, dos abandonados, daqueles que são vistos como descartáveis porque considerados meramente como números desta ou daquela estatística”, avisou.

OC

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