Leça do Balio, Porto, 26 set 2017 (Ecclesia) – O pároco de Leça do Balio (Matosinhos), terra natal de D. Manuel Martins, recordou à Agência ECCLESIA o bispo emérito de Setúbal, falecido este domingo, como alguém que “não tinha cores, nem partidos”.

O padre Pedro Gradim faz questão de lembrar que quando D. Manuel Martins chegou à Diocese de Setúbal, em 1975, alguns lhe chamavam “bispo fascista”, por ser natural do norte de Portugal, mas devido ao seu modo de ser pastor depressa passou a ser designado “bispo vermelho”.

O pároco de Leça do Balio, que ali se encontra há 51 anos, realça que a terra natal “esteve sempre no coração de D. Manuel Martins, mesmo quando foi para Setúbal”, como primeiro bispo da diocese sadina, de 1975 a 1998.

A paróquia também estava representada na entrada solene de D. Manuel Martins na diocese setubalense e os presentes sentiram “que a missão era difícil” naquele território, visto que algumas “até apuparam” o novo bispo.

“Foi um bispo com uma intervenção muito forte”, numa área de pobreza e de conflitos sociais, acrescenta o padre Pedro Gradim, que foi aluno do falecido bispo e recorda uma figura que se impunha com “muita frontalidade e amor”.

O responsável marcou “um estilo de fazer pastoral” e foi a “voz forte da Igreja” no pós-25 de abril, tal como o fez D. António Ferreira Gomes, de quem ele “era amicíssimo”, realça o padre Pedro Gradim.

As vozes de D. Manuel Martins e de D. António Ferreira Gomes eram “as mais escutadas na Igreja daquela época” porque tinham “uma grande intervenção social”

Manuel da Silva Martins nasceu a 20 de janeiro de 1927, em Leça do Balio, concelho de Matosinhos; foi ordenado sacerdote em 1951, após a formação nos seminários do Porto, seguindo-se a frequência do curso de Direito Canónico na Universidade Gregoriana, em Roma.

Pároco da Cedofeita, no Porto, entre 1960 e 1969, D. Manuel Martins foi nomeado vigário-geral da diocese nortenha em 1969, antes de seguir para Setúbal.

O corpo de D. Manuel Martins encontra-se no Mosteiro de Leça do Balio (Matosinhos – Porto) e as exéquias fúnebres vão celebrar-se esta terça-feira, pelas 15h00.

HM/LFS

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