Lisboa, 31 mar 2021 (Ecclesia) – Faleceu, esta terça-feira, dia 30 de março, Conceição Moita, com 83 anos, vítima de doença prolongada.

Maria da Conceição Moita empenhou-se, nos anos 60 e 70 do século XX, em concretizar os “frutos maravilhosos do Concílio Vaticano II” na Igreja Católica em Portugal, lutou contra a ditadura e a guerra colonial e foi a voz que convocou os cristãos presentes na Capela do Rato, em 1972, para uma  vigília “em solidariedade com as vítimas da guerra”.

“Estávamos todos presentes na missa vespertina de sábado, dia 30 de dezembro de 1972, celebrada pelo João Seabra Dinis. No fim eu dirigi-me aos microfones dizendo aos presentes que nos queríamos comprometer a ficar dois dias em jejum completo e em greve de fome, em solidariedade com as vítimas da guerra, como protesto contra situação de guerra que se vivia em Portugal e contra a ausência de tomadas de posição da hierarquia católica condenando a situação da guerra”, recordou Conceição Moita em entrevista à Agência ECCLESIA.

Numa entrevista publicada por ocasião dos 40 anos do 25 de abril, Conceição Moita lembrou os acontecimentos da Capela do Rato referindo que “tiveram muito impacto” e foram “uma pedrada no charco muito grande, sobretudo pela possibilidade de discussão e debate que aconteceram durante todo o tempo, pela oração e pela enorme participação que teve”.

Conceição Moita refere-se, na entrevista, ao papel dos cristãos na luta contra a ditadura e à influência do Concílio Vaticano II e das encíclicas de João XXIII e Paulo VI na “consciência política” de muitos católicos.

Na entrevista publicada no semanário digital Ecclesia em abril de 2014, Conceição Moita recorda também o dia da libertação “pessoal e do país”, em 1974.

“No dia 26 de abril a horas tardias, já noite, fomos libertados depois de algumas diligências para que todos os presos políticos fossem libertados e não alguns como inicialmente tinha sido anunciado”, afirmou.

PR

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