Alfredo Teixeira

Talvez seja excessivo falar do futebol como “religião popular”. Mas esse espetáculo de massas exprime de forma dramática o desejo dos indivíduos e aponta para algumas feridas das nossas sociedades. É, portanto, um lugar que merece atenção.

Os dias que correm são particularmente efervescentes quando à presença do futebol nos media. Num período de particular concentração de competições, o nosso quotidiano comunicativo é habitado por um contínuo de comentários e notícias sobre esse jogo-desporto. Com frequência, os cientistas sociais olham para esse desporto e espetáculo como uma nova “religião popular”, na sua escala local e global. Algumas interpretações viram neste desporto uma nova forma de religião (“ópio”) do povo, perpetuando os valores do capitalismo. Entretanto, fala-se dos estádios como catedrais de betão, onde a multidão experimenta a fusão emocional, exprime o seu encantamento diante de seres excecionais, e se desfigura o adversário “ímpio”. Proliferam, também, as metáforas religiosas: o espaço separado, a ascese, o sacrifício, o milagre, a transgressão, a lectio matinal de jornais especializados, os relatos de feitos desportivos inigualáveis, as imagens devocionais, etc.

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